23 de junho, dia do Herói Marselhês

Descendente de argelinos, mas natural de França, mais concretamente de Marselha, nasceu, a 23 de junho de 1972, Zinédine Yazid Zidane.

Foi no Cannes que iniciou a sua carreira profissional, no final da década de 80, seguindo-se o Bordéus, entre 1992 e 1996, onde se cruzou com estrelas como Christophe Dugarry, Márcio Santos ou Richard Witschge e ainda com os técnicos portugueses Toni e Jesualdo Ferreira, que, em 1994/95, na época após levarem o Benfica ao título em Portugal, embarcaram nessa aventura francesa pelos Girondinos, onde já despontava Zizou.

Daí ao reconhecimento das suas portentosas qualidades a todos os níveis, especialmente técnicas, foi um ápice. A estreia pelos Le Bleus deu-se em 1994, então acabado de fazer 22 anos. Desde aí, tudo mudou. Os franceses, não obstante a qualidade dos seus futebolistas, encontravam-se na ressaca de uma traumatizante não-qualificação mundialista (para o Mundial 94, dos EUA) e, bem nos inícios da "Operação Euro 96", Zidane estreou-se, então, num particular, diante da República Checa.

Foi, então, o início de uma era ganhadora e sem igual na Seleção Francesa, que até aí só havia vencido o Europeu 1984. O Euro 1996 acabou por ser uma espécie de ensaio para o que viria ser a fase dourada dos gauleses. A queda na semifinal, diante precisamente da Seleção com que se tinha estreado, a República Checa, não esmoreceu "Zidane e mais 10". Em 1998, no Mundial, em casa, em pleno Saint-Denis, santuário da Seleção Francesa, Zidane, com um bis, guiou o seu país a um triunfo inédito por 3-0 diante do Brasil e, mais do que isso, a confirmação em forma de consagração de um jogador que cedo atingiu o topo do futebol mundial, confirmado pelo recebimento do primeiro de três FIFA Ballon D"Ors da sua carreira.

Seguiu-se, em 2000, o segundo Ballon D"Or e... nova conquista pelo país da Marselhesa (quase que, como epicamente destinado, o local onde havia nascido estar ligado ao hino da sua pátria amada). No Euro 2000, depois de uma eliminação na meia-final que ainda hoje dá pesadelos aos aos portugueses, triunfo diante dos italianos, país onde jogava nessa altura, ao serviço da Juventus (entre 1996 e 2001).

Pelos bianconeri, dois scudetti em cinco anos, logo nos dois de estreia. O sonho milionário da Champions, porém, ficara adiado, depois de duas finais consecutivas perdidas para Borússia Dortmund e Real Madrid, em 1997 e 1998. E foi precisamente em Madrid, ao serviço do Real, que Zinedine Zidane viu o sonho cumprir-se. Em 2001, integrou a equipa mais titulada europeia e deixou também o seu crivo no seu palmarés. No seu ano de estreia, integrando os «Galácticos», como era alcunhada a constelação madridista, em que além do mágico gaulês despontavam nomes como Luís Figo, Roberto Carlos, Raúl e Hierro, chegou a tão desejada "Orelhuda" e, com ela também, uma das pinturas mais sensacionais, senão a mais(!), da história das finais "milionárias". Após cruzamento de Roberto Carlos, sem deixar embater o esférico no chão, de primeira, perto da linha da grande área, Zizou esculpiu uma das maiores obras-primas de sempre do futebol mundial! Um golo aterrador, demoníaco, completamente fora da órbita terrestre! Uma lenda que perdurará nos almanaques da história do futebol planetário...

Em 2003, arrecadou a seu terceiro e último FIFA Ballon D"Or, despedindo-se dos relvados ao serviço do clube madrileno três anos depois. Estava destinado, não a um adeus, mas a um "até já" dos grandes palcos, "até já" porque Zidane... voltou! Não como jogador, claro está, mas como comandante de homens a partir do banco. Pelo Real Madrid, claro está.

O franco-argelino foi, alguns anos após o término da sua carreira, primeiro diretor desportivo, depois treinador-adjunto da equipa principal, seguindo-se como treinador da equipa B até, por último, chegar à cadeira de sonho madrilena, substituindo, a meio de 2015/2016, Rafa Benítez no comando técnico merengue. E, a partir daí, é história...

Com uma galáxia à sua disposição, cuja maior estrela era Cristiano Ronaldo, foram nem mais nem menos do que três as Ligas dos Campeões conquistadas com Zizou ao comando da nau madridista, além de uma Liga Espanhola, ressalvando que havia saído em 2017/18 e reentrado já com a temporada seguinte em andamento, em março, após trabalho dececionante de Lopetegui, primeiro, e Solari, depois. Ainda foi, pois, a tempo de levar mais uma prova-rainha para a capital espanhola. Um «tri» histórico e absolutamente inolvidável que banhou, uma vez mais, a ouro a sala de troféus «blanca», além de outros ao longo do seu reinado, que ainda persiste, como a Supertaça Espanhola, Supertaça Europeia e Mundial de Clubes.

Atualmente ainda no comando técnico do Real Madrid, aconteça o que acontecer Zidane será para sempre uma das grandes figuras do futebol mundial. Como jogador, dispensa mais apresentações. Uma técnica extraordinária, só ao alcance de predestinados que perpetuaram o seu nome na Hall of Fame do mundo do futebol, referência maior para muitos. Como técnico principal, «apenas» perpetuou essa magia que levava para o relvado em forma de liderança.

Onde estão os nomes de Pelé, Maradona e Eusébio está também o de Zidane, um astro inconfundível, uma verdadeira prosa futebolística em movimento, um TGV de futebol elegante, seleto, chique, intangível.

André Rodrigues (A Economia do Golo)

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo*

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