Ações da Benfica SAD alcançam valor histórico de 5,12 euros

As ações do Benfica valorizaram esta manhã 15%, depois das notícias sobre a intenção de Luís Filipe Vieira de vender por quase oito euros cada uma as 730 mil ações que comprou por cinco, e que nunca voltaram a valer tanto.

As ações da Benfica SAD seguiam esta quarta-feira a ganhar 12,9% na Euronext Lisbon, para os 4,90 euros, chegando esta manhã a atingir o valor histórico de 5,12 euros.

Pelas 10h00, as ações já tinham atingido um volume de mais de 50 mil transações.

A impulsionar os títulos da sociedade anónima está a possibilidade de o clube exercer o direito de preferência sobre as ações de Luís Filipe Vieira. O antigo presidente comunicou na terça-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a proposta de venda das 753.615 ações de que é proprietário, a 7,80 euros por título, representativas de 3,28% do capital social da Benfica SAD, o que equivale a um encaixe de 5.878.197 euros.

"A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD ("Benfica SAD") informa [...] que tomou conhecimento pelo Sport Lisboa e Benfica de que esta entidade recebeu do senhor Luís Filipe Ferreira Vieira uma comunicação para exercer direito de preferência relativamente à possível transmissão das 753.615 ações representativas de 3,28% do capital social da Benfica SAD de que este é titular", pode ler-se na nota da CMVM.

A entidade informa ainda que "na referida comunicação não é identificado o potencial adquirente, é mencionado que a proposta de aquisição ascende a 7,80 euros por ação (o que corresponde ao valor global de 5.878.197 euros) e que o exercício ou não do direito de preferência deverá ser comunicado até ao fim do dia 15 de setembro de 2021".

"Não consta da comunicação mais nenhuma informação acerca da potencial venda. A Benfica SAD informa ainda que não tem conhecimento de qualquer decisão do Sport Lisboa e Benfica a este respeito", concluiu.

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos no início de julho numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do Benfica e Novo Banco e está indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

O ex-presidente começou por suspender as suas funções no Benfica, mas, a 15 de julho, acabou por apresentar a sua demissão, sendo substituído por Rui Costa.

A maioria do capital da SAD do Benfica (63,65%) está na posse do clube (40%) e da Benfica SGPS (23,65%), sendo que Luís Filipe Vieira é detentor de 3,28% das ações da SAD, sobre os quais o emblema das 'águias' tem direito de preferência.

Fora dos 66,93% imputáveis ao clube, 16,33% estão na posse do empresário José António dos Santos, proprietário da empresa Valouro e maior acionista individual da estrutura benfiquista, enquanto 3,73% na de José da Conceição Guilherme e 2% na da Quinta de Jugais.

Em julho último, José António dos Santos celebrou um acordo para vender ao norte-americano John Textor 25% do capital social da SAD.

José António dos Santos, condicionado ao pagamento até 15 de setembro "do preço total acordado", tendo sido adiantada a quantia de um milhão de euros.

A direção do clube disse desconhecer este contrato e prometeu opor-se ao negócio caso essa operação seja analisada em assembleia geral de acionistas.

Num comunicado publicado no sítio oficial, os órgãos sociais 'encarnados' reiteram que desconheciam "em absoluto a existência das negociações que conduziram à assinatura de um acordo para a compra de 25% do capital da Benfica SAD entre o acionista privado José António dos Santos e o investidor John Textor", salientando que só souberam desse acordo "quando o mesmo foi noticiado ao público" e que mesmo assim desconhecem o seu conteúdo.

Ato contínuo, a direção do clube lembra a sua condição de detentor de ações de categoria A e, consequentemente, a sua capacidade de veto na aquisição de ações, ao abrigo dos estatutos da SAD, se entender que está "em causa a aquisição de uma participação qualificada por entidade concorrente".

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