Sporting: faltou o abre-latas!

Leia a análise ao empate do Sporting-Vitória de Setúbal.

Dirão os resultadistas que tudo valerá para uma equipa levar a água ao seu moinho! O que contam são os pontos!

Dirão os românticos que futebol é magia,imprevisibilidade, risco! Com espectáculo virão os golos!

Contudo, achamos que, como em tudo na vida, no meio estará a virtude...aquele binómio entre responsabilidade e liberdade que permitirá às equipas recitarem a palavra equilíbrio com propriedade! Quando assim não acontece, poderá existir vontade, poderá existir desejo, mas não passará disso.

Dúvidas disso? Este Sporting tão sem soluções que se apresentou frente a um Vitória FC capaz de orgulhar homens como Rappaan, o pai do Ferrolho suíço, ou os grandes mestres do catenaccio italiano. Verdade seja dito, os leões partiam para o combate sem as suas duas unhas mais afiadas: Jovane e Sporar. Além disso, pela frente encontravam uma verdadeira muralha sadina com 5 defesas e 4 médios encostados ao último reduto. Campo pequeno, linhas recuadas e juntas e a noção de entrelinhas tão a gosto dos peritos a ser uma miragem!

Além disso, muito demérito do Sporting. A verdade tem de ser dita! A equipa de Ruben, desde que o treinador assumiu as rédeas leoninas, é uma equipa segura, que consegue controlar-se defensivamente, mas ataca de forma estereotipada, previsível e sem rasgo. Assim foi em Moreira de Cónegos, foi em casa frente ao Santa Clara e foi hoje, com um imberbe Tiago Tomás incapaz de remar contra uma muralha setubalense que, por vezes deixava, apenas, Éber Bessa uns metros mais adiantado.

Porém, apesar desse não ser o futebol que prende adeptos, o Vitória FC precisava de fazer pela vida, lutar por merecer ser dono do seu destino. Com efeito, os setubalenses vinham de seis derrotas consecutivas, Vidigal desde que chegou ainda nem um ponto tinha conquistado pelo que tinham de lutar pela subsistência...

Também por ter noção dessa realidade, a equipa de Amorim sabia ser necessário usar a imaginação para quebrar o seu último reduto... imprevisibilidade... criatividade... ou, pelo menos, um saca-rolhas capaz de esboroar as linhas sadinas!

Jamais sucederia! Perante uma equipa que só atacou no máximo com dois homens, Amorim foi a cara do seu conjunto. Previsível nas substituições, no modelo de jogo e banal nas alterações que operou. Mesmo Vietto que foi lançado em liça para tentar desequilibrar nas costas de Tiago Tomás seria neutralizado, quiçá engolido pela teia sadina, sempre de frente para a bola, sempre bem posicionada!

A prova do que dizemos é que a primeira oportunidade digna dessa nome só surgiria já ia a segunda parte bem estendida no tempo... um tiro de Acuña e Makaridze a fazer a primeira defesa digna desse nome.

Era o sinal do caminho, que não mais seria explorado! De Rúben, um treinador contratado como salvador da pátria, talvez se espere mais argúcia táctica, mais engenho em projectar a sua equipa, mais capacidade de surpreender o adversário. Ao invés, como aconteceu em Moreira de Cónegos, embateu de frente numa verdadeira muralha.

Muralha essa, que é o sinal de marca de um Vidigal resultadista, mas que ninguém esperava que fosse a Alvalade dançar o tango! Precisava de um ponto para ser dono do seu futuro e conseguiu-o.

Quanto ao Sporting, faltou, pelo menos um saca-rolhas, para garantir o terceiro lugar. Assim, terá de fazer para o merecer no derby contra o Benfica. A última jornada terá esse motivo de atracção...

*Comentador TSF

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