Longa vida ao rei!

Hoje é noite de Champions no San Paolo em Nápoles e o FC Barcelona é o ilustre convidado, nesta primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. São dois clubes que não têm muitas semelhanças entre eles. Se o clube da Cidade Condal é, indiscutivelmente, um dos mais titulados, prestigiados e ricos do Mundo, já o Nápoles, com poucas glórias para contar, é um dos parentes pobres do futebol italiano, historicamente na sombra dos ricos do norte de Itália.

No entanto, comum a estes dois emblemas, há um ser que marcou a história do desporto em geral e do futebol em particular. El Diez, Dieguito, D10S, El Pibe, ou então, simplesmente Diego Armando Maradona. Nascido em Outubro de 1960 em Lanús, área metropolitana de Buenos Aires, Dieguito cedo começou a demonstrar o seu talento infindável. Estreou-se na primeira divisão argentina a 10 dias de completar 16 anos e, duas semanas após o seu aniversário, marcou o seu primeiro golo no campeonato argentino, ao serviço do Argentinos Juniors. Em Fevereiro de 1981, aos 20 anos de idade, Maradona daria o salto. Entre o interesse de muitos clubes, El Pibe ouviria o coração e assinou pelo gigante da Bombonera, o Boca Juniors, clube do qual é adepto, num negócio que foi concluído por 4 milhões de dólares.

Em Junho de 1982, após o mundial espanhol, El Diez foi transferido para o Barcelona, numa transferência cuja verba foi recorde mundial. 7,6 milhões de dólares foi o valor pago pelos catalães, que depositavam grandes esperanças em D10S para recuperar o título que fugia desde 1974. Em vão. O génio de Diego Armando Maradona não foi capaz de resgatar o título para os "blaugrana". Uma Taça do Rei e uma Taça da Liga foi tudo o que Dieguito conseguiu vencer em Barcelona. Porém, espalhou magia no país de "nuestros hermanos". Tanto que foi o primeiro jogador da história do Barça a ser aplaudido pelos adeptos "blancos", no Santiago Bernabéu. O último jogo com a camisola do Barça não é para relembrar. Além da derrota na final da Taça do Rei por 1-0, contra o Athletic Bilbao, o encontro terminou em batalha campal, iniciada por El Pibe, que tinha sido abusado verbalmente durante o jogo e sofrido muitas faltas duras.

No Verão de 1984, Maradona mudou de ares. E a mudança foi surpreendente! Do glamoroso FC Barcelona ao modesto Napoli. E os montantes envolvidos voltaram a ser recorde mundial. 10,5 milhões de dólares pagaram os napolitanos. Dieguito foi recebido como um rei, com 75 mil adeptos na sua apresentação no San Paolo. Depois de um oitavo lugar e de um terceiro lugar nas 2 primeiras temporadas, a glória eterna chegaria na terceira época de Nápoles. Já coroado campeão mundial com a "celeste", na época 1986/1987, El Diez levou o Nápoles ao colo rumo à conquista do título italiano, o primeiro da sua história. Nas duas épocas seguintes seria a vez do Milan e do Inter serem campeões, contudo em 1989/1990 os partenopei voltariam a recuperar o título, sob o alto patrocínio de El Pibe. Glória ao Rei!

Mas a passagem de Maradona por Nápoles também ficou marcada por fortes polémicas. Desde o forte consumo de drogas às festas constantes, passando pela amizade com a chefia da Camorra até ao filho bastardo, entretanto reconhecido em 2007, fruto da loucura de uma noite. Ou ainda o pedido à Camorra para que recuperasse os relógios e a Bola de Ouro que lhe tinham sido roubados. Se os relógios foram encontrados, já a Bola de Ouro tinha sido derretida. Por outro lado, o "calcio" italiano, na ressaca do "Totonero", vivia dias de suspeição e, por conseguinte, fala-se nos bastidores que o campeonato de 1987/1988, no qual o Napoli ficou em segundo lugar, foi oferecido ao Milan pela Camorra, devido às apostas clandestinas em curso. Fica assim a sensação de um bi-campeonato que o Napoli poderia ter vencido.

1990/1991 seria a última época de El Pibe em Itália. Contudo, a saída não foi pela porta grande. El Pibe, único jogador na história do futebol que bateu o recorde de transferência duas vezes, foi apanhado nas malhas do doping, o que o levou a abandonar a Campania. Foram 7 temporadas com o símbolo do Napoli ao peito, no período mais glorioso deste clube que, para o homenagear, retirou a camisola 10. Após a partida de Dieguito, os partenopei não mais se sagraram campeões. D10S foi tudo o que o futebol precisa. Arte, magia, técnica, golos e classe infinita. E muitas polémicas também! E, por isso, será para sempre uma personagem icónica do futebol mundial!

Miguel Batista (A Economia do Golo)*

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

* Nota do Editor: O autor opta por escrever ao abrigo do anterior Acordo Ortográfico.

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