Tavares destruiu o que Rúben construiu. Portimonense e Benfica empatam a dois

Pizzi e André Almeida marcaram para as águias, Dener e Junior Tavares fizeram os golos algarvios.

Rúben Dias descobriu o seu lado de criador e pensador de jogo, mas de que serve isso num jogo em que o adversário leva bombas para dentro do campo? Portimonense e Benfica empataram, esta quarta-feira, a duas bolas num jogo em que os encarnados chegaram a estar a vencer por 2-0, com golos de Pizzi e André Almeida, mas Dener e Junior Tavares - com um golaço de fora da grande área - impediram os encarnados de sair do Algarve com três pontos.

Com este resultado, o Benfica chega à liderança - à condição - e fica agora à mercê do FC Porto, que esta noite recebe o Marítimo.

Começa a ser um clássico deste "novo futebol": ainda o jogo não tinha começado e já havia adeptos no telhado de alguns dos prédios em redor do Municipal de Portimão. Em tempos de pandemia e com as bancadas fora do alcance, há que procurar soluções.

Os primeiros minutos de jogo trouxeram três sinais claros: pressão alta do Benfica, uma posição "baixa" de Taarabt - o marroquino estava encarregue de ir buscar jogo lá atrás, recebendo a bola diretamente dos centrais - e um posicionamento novo: Pizzi à esquerda e Cervi à direita.

Com um quarto de hora jogado, o Benfica ia chegando à baliza de Gonda mas, na hora da verdade, a bola parecia fugir do objetivo e, quando não fugia, era Gonda quem surgia para estragar os planos encarnados. Mas a vontade lá fez efeito.

Aos 17 minutos, Rafa arranca em velocidade pela direita depois de um passe de Rúben Dias e deixa a bola para a entrada da grande área. Na passada, Pizzi atirou de pé esquerdo e em força, uma bomba que contou mesmo para fazer o 0-1.

A festa durou, ainda assim, pouco tempo. No reatamento do jogo, Jardel queixou-se com dores, olhou para o banco e disse que não dava mais. Entrou Ferro e Lage esgotou uma das - agora - cinco substituições.

Valeu um erro de outro central... que jogava de amarelo. Numa bola bombeada por Rúben Dias - uma vez mais - para o meio-campo algarvio e desviada por Pizzi, Lucas Possignolo falha por completo o corte e André Almeida, nas suas costas e completamente isolado, ainda conseguiu chegar a tempo de desviar para o fundo da baliza de Gonda. O 0-2 chegava perto da meia hora.

Com dois golos marcados e o jogo aparentemente controlado, tornava-se evidente uma nova nuance no Benfica: Weigl era o homem mais recuado nos ataques encarnados e, à sua direita, surgia Rúben Dias como primeiro construtor. O jovem central português - que já tinha participado na construção dos dois golos - assumia-se como uma espécie de distribuidor recuado, procurando linhas de passe verticais.

O intervalo chegou com o Benfica em vantagem e a jogar confortavelmente, ainda que sem a arte e o engenho que podiam facilitar ainda mais o jogo. No reatamento, Paulo Sérgio fez entrar Fali Candé e Boa Morte na equipa para os lugares de Henrique e Pedro Sá.

Os algarvios estavam, aliás, tão desligados que o primeiro remate à baliza só surgiu já na segunda parte. E se o primeiro não foi perigoso, o segundo - de Lucas Fernandes, que descobriu espaço na grande área encarnada - serviu de alerta.

E também houve, de seguida, alerta vermelho. Grimaldo sai muito mal tratado de um lance em que colide com Hackman e Cervi e não aguenta as dores, pedindo para sair. Com esta lesão, a juntar-se à de Jardel a um amarelo que deixa André Almeida fora da próxima partida, o Benfica vê-se obrigado a uma revolução no setor mais recuado para o próximo jogo. Entrava Nuno Tavares.

Voltemos ao alerta deixado por Lucas Fernandes. Tabata cobra um livre a partir da esquerda e Dener, acima de todos os outros, salta a meias com Lucas e cabeceia forte para o fundo da baliza de Vlachodimos. O 1-2 surgia aos 65 minutos.

Ora, como se costuma dizer, um mal nunca vem só e o Benfica provou disso mesmo. Num canto a partir da esquerda os algarvios obrigam Vlachodimos a uma defesa apertadíssima e a bola acaba por sobrar para a entrada da grande área. Junior Tavares não quis deixar passar a oportunidade e, à bomba e num remate colocadíssimo, fez o 2-2 para os algarvios. Duas jornadas, dois golaços em Portimão.

Do banco começaram a chegar reações: se Lage optou por lançar Dyego Sousa, Seferovic e Gabriel, Paulo Sérgio lançou Jadson.

Os últimos minutos do jogo foram o que seria de esperar. Dyego Sousa e Seferovic fixaram-se na grande área do Portimonense e, por duas vezes, conseguiram fazer Gonda e a sua defesa tremer, ainda que esta não quebrasse até ao fim do jogo. Com este resultado, o Benfica soma cinco empates consecutivos em todas as competições.

Onze do Portimonense: Gonda; Jadson, Lucas Possignolo e William; Dener, Hackman, Pedro Sá, Henrique e Lucas Fernandes; Tabata e Aylton

Onze do Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Pizzi, Cervi, Rafa e Vinícius

Suplentes do Portimonense: Samuel; Jadson, Rodrigo, Rômulo, Fali Candé, Bruno Costa, Marlos Moreno, Beto e Aylton Boa Morte.

Suplentes do Benfica: Svilar, Nuno Tavares, Ferro, Florentino, Gabriel, Chiquinho, Jota, Dyego Sousa e Seferovic

O jogo é arbitrado por Carlos Xistra, assistido por Jorge Cruz e Marco Vieira. No VAR está Bruno Esteves.

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