Um dos maiores do seu tempo que poderia ter sido o melhor de todos os tempos

Falamos de Ronaldo de Assis Moreira, Ronaldinho, claro.

Terá sido um dos melhores do seu tempo...poderia ter sido um dos melhores de todos os tempos! Nunca uma frase terá definido tão bem um atleta, a sua magia, o seu modo de encarar o jogo!

Falamos de Ronaldo de Assis Moreira, Ronaldinho para se distinguir do outro Ronaldo que fazia furor nas áreas adversárias e que, por alturas do advento do irmão de Assis que passou pelo Sporting, já era, simplesmente, Ronaldo!

Ronaldinho talvez tenha sido um dos últimos baluartes do romantismo da camisola 10... Verdade que ainda temos Messi, a quem passou o testemunho em Barcelona, mas, sejamos honestos... A camisola dos predestinados também é conjugada com muita irreverência, alguma loucura! Aliás, é essa loucura que permite aos homens que envergam a camisola mais mítica do futebol ousarem realizar o que os demais nem sequer alvitram! E, como diria Camões, "da lei da morte irem-se libertando."

Tendo começado menino nos "escalões mirins" do Grémio de Porto de Alegre, fascinou quem o viu. Um pé esquerdo mágico, uma técnica predestinada... O caçula da família Assis Moreira iria, certamente, ser maior em talento do que o irmão, que, cedo, passou a administrar a carreira dele.

No Grémio, apesar da fama dos escalões de formação já o acompanhar, deixaria o mundo de boca aberta. Uma técnica divinal, uma capacidade de drible estonteante, a certeza de ser capaz de com uma bola de berlinde dominar o mundo, quanto mais com uma de futebol.

Um talento tão precoce quanto avassalador, que faria com que fosse campeão do mundo de Sub-17, e, quase em simultâneo, representasse a Canarinha no Mundial Sub-20 da Nigéria em 1999 e se estreasse na equipa principal na Copa América. O mundo começava a render-se a um jovem que, mesmo entre os mais velhos, não se inibia de realizar os truques mais mirabolantes, ajudando a sua selecção a vencer a prova. De enfiada, jogaria a Taça das Confederações, onde seria eleito o melhor jogador da prova, ainda que o escrete tivesse sido derrotado pelo México na final.

Já era, pois, mais do que um jovem com talento...Havia a certeza de ter o mundo aos seus pés!

Porém, essa magia ainda ficaria mais dois anos a maturar em Porto Alegre, no tricolor do Grémio, de onde sairia em 2001! Apesar de ser desejado pelos mais glamorosos emblemas europeus, a sua entourage apostaria num emblema, na altura, de média dimensão europeia. Seria o Paris Saint-Germain, onde chegaria a troco de cinco milhões de euros! Uma bagatela para tanto talento!

Na cidade das Luzes foram duas temporadas, onde nada venceria a nível de clubes. Porém, terá vencido o maior troféu a nível de selecções, aquele que todos desejam, mas poucos o conseguem alcançar. Naquele Brasil de 2002, orientado pelo Sargentão Scolari, ganharia o Mundial da Coreia/Japão, ficando aquele balão a sobrevoar David Seaman, nos quartos-de-final da prova, para a história. O Brasil era pentacampeão mundial e o "Bruxo", como era conhecido pelos seus incontáveis truques, estava entre os grandes!

Assim, estava tudo preparado para o passo seguinte. Barcelona esperava-o, na temporada de 2003/04, a troco de 30 milhões de euros!

Na Cidade Condal tocaria o céu...e o inferno! O céu nos inúmeros momentos de magia com que brindou quem ama bom futebol! A sua capacidade ímpar, única entre os demais, levá-lo-ia a ser considerado duas vezes o melhor jogador do mundo! Levá-lo-ia a ser aplaudido, em casa do maior rival do Barça, o Real, com os adeptos merengues rendidos a tamanhas pinceladas de um talento que não se definia... só se podia descrever por quem o via! Levá-lo-ia a vencer a Liga dos Campeões, naquela final frente ao Arsenal, numa equipa Culé, que, com Rikjaard, professava os princípios de um futebol trepidante, electrizante! Ronaldinho, com a sua face peculiar, a sua "dentuça" inconfundível, era a cara do Barcelona, o seu símbolo maior!

Porém, a cidade era local de muitas tentações...muitas aventuras...como Maradona cederia a algumas delas e como El Pibe tentaria a regeneração em solo italiano. Neste caso, em Milão. Nos rossoneri não exibiria a magia dos tempos de Barcelona, parecia mais infeliz, afastado daquela audácia que lhe permitia driblar o mundo. Ainda assim, venceria um scudetto e entraria na história do SC Braga de Jorge Jesus, abatido por um balázio no último minuto em San Siro, depois de magistral lição táctica!

Porém, "Dinho" já não era só o futebol! Era o samba... as mulheres... a cerveja...a noite! Tudo incomportável com a cientificidade fria, lógica e cinzenta de Milanello. Por essa razão, regressaria ao seu Brasil amado, para o Flamengo, de onde saltaria para o Atlético Mineiro. Aí, a jogar metade do que houvera feito em Barcelona, conseguiria cumprir outro sonho: vencer a Taça dos Libertadores em 2013, no último ano em que, talvez, tenha olhado para o futebol com aqueles olhos de menino que sonhava conquistar o mundo.

A partir desse momento seria o declínio. Uma experiência no México, no Querétaro, e a despedida no Fluminense, num ocaso futebolístico que merecia muito mais.

Porém, não obstante isso, Ronaldinho será sempre o mesmo "Dentuça", o homem do "sorriso eterno e permanente", que, mesmo quando, recentemente, esteve preso preventivamente, não deixou de sorrir para os demais presos, tirar fotografias com eles, e até entrar no torneio de futebol da prisão.

Porque podemos passar por todas as experiências, mas, se formos sempre nós, poderemos sorrir para a vida e esperar que ela nos retribua! Foi um dos maiores do seu tempo, poderia ter sido o maior de todos os tempos!

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