"Marcelo fechou a função presidencial numa espécie de presentismo"

"Marcelo fechou a função presidencial numa espécie de presentismo"

Sampaio da Nóvoa foi candidato às eleições presidenciais de 2016, apoiado por uma parte da esquerda. Depois saiu de cena e cumpriu na UNESCO um silêncio (também) diplomático. De volta à visão ativa que mantém da política, não fecha portas a Belém, embora guarde essa questão para outro tempo. Sobre este, o das legislativas, acha impensável que tudo fique na mesma e pede a António Costa a "humildade democrática" de um compromisso alargado, acima dos partidos.

Miguel Poiares Maduro

A imprevisibilidade das eleições e o papel do Presidente

No seu discurso de ano novo o Presidente da República pediu previsibilidade após as próximas legislativas. Compreende-se a preocupação do Presidente com os riscos de uma eventual instabilidade política, se bem que, ao contrário do que se julga, Portugal nem seja dos países com mais instabilidade política na Europa (entendida como alterações frequentes de governo) e não pareça existir uma correlação clara entre instabilidade política e crescimento ou estagnação na Europa. Alguns dos países mais desenvolvidos na Europa ​​​​​​​têm níveis de instabilidade política bem mais elevados que os nossos, mas isso não afeta o seu desenvolvimento e crescimento. Isso deve-se, provavelmente, a beneficiarem de uma cultura política assente em instituições públicas capacitadas e independentes que asseguram a qualidade da governação para lá dos ciclos políticos mais curtos.