Quando o Médico Não Diz e o Doente Não Faz

"20% da falta de adesão à terapêutica tem razões económicas" - Francisco Araújo, coordenador de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa -

"Na Europa, o abandono da medicação por parte dos doentes é responsável por dez por cento dos eventos cardiovasculares", informa o médico Francisco Araújo alertando que dificilmente se consegue bons resultados quando existe falta de comunicação entre o médico e o doente.

O coordenador de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa explica a necessidade de tanto o médico como o doente, ouvirem e comunicarem entre si em todas as consultas, para que exista a maior e melhor adesão à terapêutica sabendo que cerca de metade das pessoas abandona um dos medicamentos considerados mais importantes após um enfarte agudo do miocárdio. "Depois dessa manifestação cardiovascular, metade dos doentes abandona a medicação no ano seguinte, com o risco agravado de vir a sofrer novo evento, poder morrer ou ter alguma complicação associada à doença. Se não salientarmos esta questão no contacto com os doentes, as pessoas esquecem-se e deixam os medicamentos de lado e cuja eficácia só resulta se as condições terapêuticas forem cumpridas".

Francisco Araújo, documentado, esclarece os vários motivos que levam os doentes a abandonarem a medicação. "Há um inquérito feito em Portugal, envolvendo cerca de 1400 pessoas, que revela o esquecimento como a principal razão para quase metade dos inquiridos. Cerca de 20% diz que falta de adesão à terapêutica tem a ver com insuficiência económica e depois há uma percentagem de 10% que afirma não confiar no médico, o que é preocupante para nós".

Como ajuda para combater o esquecimento são referidas como boas estratégias a utilização de lembretes, as teleconsultas e a diminuição do número de medicamentos a tomar. Neste último caso é citada a técnica da terapêutica combinada, ou seja, a medicação com diversos fins terapêuticos.

Por todas estas razões o diálogo e a pedagogia entre o profissional de saúde e o doente são importantes. Como alerta para outros médicos, o especialista aborda a necessidade de falar e transmitir conhecimento aos doentes. "Eles devem compreender exatamente os objetivos pelos quais estamos a prescrever determinado medicamento e que, desse modo, tentamos evitar de uma forma muito significativa um novo evento cardiovascular ou que estamos a diminuir os fatores de risco".

Por último, o coordenador de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa avisa que deve haver preocupação de parte a parte na preparação de cada consulta. "Tal como nós, profissionais de saúde nos preparamos, também pedimos às pessoas que se ajudem a si próprias. Como? Preparando o que devem dizer e perguntar na consulta. A ideia é saírem mais esclarecidas e conhecedoras da sua saúde".

"Pela Sua Saúde Cardiovascular" é uma iniciativa TSF com o apoio da Servier Portugal.

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