Até 60 vezes mais quente do que o sol. Cientistas descobrem explosão de estrela anã branca

Investigadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga falam num registo sem precedentes. Foi o telescópio de raio X eROSITA a identificar a explosão da anã branca.

Cientistas observaram a explosão de uma estrela anã branca, que atingiu uma temperatura pelo menos 60 vezes superior à do sol. Os investigadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga, na Alemanha, relatam que esta é a primeira explosão do género identificada na Reticulum, uma constelação do hemisfério celestial sul.

Quando as estrelas como o Sol ficam sem combustível (essencialmente, hidrogénio e hélio), começam a encolher até se tornarem anãs brancas (astros com um tamanho semelhante ao da Terra, mas com uma massa tão densa como a do Sol), nas quais podem, por vezes, acontecer explosões com temperaturas altíssimas, produzindo bolas de fogo de radiação X, como foi o caso, explicam os cientistas.

Se a anã branca estiver acompanhada por uma estrela que ainda está a arder, e quando o seu campo de gravidade puxa o hidrogénio dessa estrela acompanhante, pode fazer com que a estrela em decadência se reacenda. Assim, o hidrogénio pode formar uma camada na superfície da anã branca e fazer com que haja uma grande explosão, consumindo-se esse hidrogénio, explica Jörn Wilms, coautor deste estudo, em declarações citadas pelo jornal The Independent.

A explosão foi detetada em julho de 2020, mas só agora os dados recebidos foram processados pelos investigadores e publicados num estudo divulgado recentemente na revista científica Nature.

A descoberta foi classificada por Ole König, outro coautor do estudo, como um "feliz acaso". "Estes clarões de raios X duram apenas algumas horas e são quase impossíveis de prever, sendo que o instrumento de observação tem de estar diretamente apontado à explosão exatamente no tempo certo", explicou o cientista, que indica que a explosão deve ter durado "menos de oito horas".

Embora este tipo de explosões de raio X aconteçam constantemente em estrelas deste género, detetá-las durante os primeiros momentos, em que a maior parte da radiação é emitida, é "muito difícil", sublinham os investigadores. Para registar a explosão da anã branca, os cientistas usaram o telescópio de raio X eROSITA, colocado no espaço, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra, e que, desde 2019, tem procurado sinais de radiação X.

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