Cães são sirenes de alerta contra vírus mortais como o ébola

Uma investigação propõe usar amostras de sangue canino para saber como se podem evitar surtos de doenças infecciosas e mortais em África. Os cães possuem anticorpos que os protegem de algumas doenças.

Um estudo recente realizado pela Universidade do Havai e publicado na revista científica PLOS fornece evidências acerca da imunidade dos cães a certos tipos de doenças letais que podem afetar os humanos.

Segundo o investigador Axel Lehe "os nossos dados sugerem que o sangue do cão nos pode ajudar a identificar regiões onde o vírus do ébola e outros similares podem estar presentes. Compreender a sua prevalência ajuda-nos a estarmos melhor preparados e a sabermos onde os próximos surtos ocorrerão", esclarece.

As amostras de sangue retiradas aos cães fixados em áreas mais suscetíveis e de risco podem, assim, ajudar os investigadores a recolher mais informações sobre os vírus e, consequentemente, de que forma podem vir a ser prevenidos.

A equipa de Lehe recolheu na Libéria 64 amostras de cães com pelo menos quatro anos, uma vez que já tinham de estar vivos à data do último surto.

A razão pela qual este estudo é realizado em caninos é a de que estes estão facilmente expostos à convivência com os seres humanos e, consequentemente, a vírus como o ébola, dando resposta nula a infeções mortais e contagiosas.

Este projeto abre um novo caminho na prevenção dos vírus letais, uma vez que a técnica usada para detetar anticorpos no sangue de animais é muito mais barata e até feita com recurso a equipamentos mais básicos do que fazê-lo a uma pessoa.

Regra geral, quando o processo é feito em humanos o sistema que é seguido pelos investigadores quando o surto já explodiu é o de analisar a presença de certas proteínas no corpo do possível infetado, algo mais caro e complexo.

A última epidemia do vírus do ébola aconteceu em agosto do ano transato na República Democrata do Congo e foi especialmente difícil de tratar, uma vez que o país carecia de infraestruturas, materiais e até da confiança dos cidadãos locais. Em alguns países africanos é praticamente impossível extrair sangue a humanos, uma vez que os locais têm crenças que impossibilitam por completo essa tarefa.

Ao El País Leher lembra que esta pesquisa "é apenas o começo de um trabalho mais sistemático que deve analisar a evidência de possíveis infeções em animais domésticos e outros animais selvagens que vivem perto de seres humanos".

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