Sondagem europeia defende tratado internacional que proíba 'robôs assassinos'

Quase três em cada quatro pessoas querem que o seu governo colabore com outros países para proibir sistemas letais de armas autónomas.

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) divulgou esta quarta-feira os resultados de uma sondagem em dez países europeus que defendem a proibição de sistemas de armas autónomas letais, conhecido como 'robôs assassinos'.

"Quase três em cada quatro pessoas que responderam a uma nova sondagem em 10 países europeus querem que os seus governos trabalhem para um tratado internacional que proíba sistemas letais de armas autónomas", disse hoje a HRW, em comunicado.

A Human Rights Watch, que cofundou e coordena a Campanha para Parar os Robôs Assassinos, encomendou a sondagem à empresa YouGov, que foi realizada em outubro na Bélgica, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Espanha e Suíça.

"Todos os governos desses países concordam que é importante manter o controlo humano sobre o uso da força, mas atualmente nenhum deles trabalha para uma nova lei internacional sobre sistemas de armas autónomos letais", frisou a organização não-governamental.

Os resultados foram divulgados quando estão agendadas reuniões diplomáticas para hoje e 15 de novembro, esperando-se que, após a reunião anual dos Estados que assinaram a Convenção sobre Armas Convencionais (CAC), nas Nações Unidas, em Genebra, se decidirá sobre a continuidade das negociações diplomáticas sobre os sistemas de armas autónomas letais ou armas totalmente autónomas.

Ou seja, os Estados determinarão as próximas etapas para enfrentar as ameaças colocadas por essas armas, que, uma vez ativadas, selecionariam e atacariam alvos sem intervenção humana.

"A proibição de 'robôs assassinos' é politicamente esclarecida e moralmente necessária", disse a diretora de defesa da Divisão de Armas da Human Rights Watch, Mary Wareham, e coordenadora da Campanha para Parar Robôs Assassinos.

"Os estados europeus devem assumir a liderança e abrir as negociações do tratado de proibição se quiserem proteger o mundo desse horrível desenvolvimento", acrescentou.

"Claramente, precisamos começar a traçar um novo caminho num novo fórum, até 2021, o mais tardar, pois as negociações atuais parecem destinadas ao fracasso", disse Wareham.

Desde 2014, que foram realizadas oito reuniões sobre os sistemas de armas autónomas letais, sob os auspícios da Convenção sobre Armas Convencionais, um importante tratado de desarmamento, pode ler-se na mesma nota.

Segundo a HRW, "ao longo dessas reuniões, os Estados construíram um entendimento partilhado de preocupação, mas têm sentido dificuldades para chegarem a um acordo sobre recomendações credíveis para ações multilaterais devido às objeções de um punhado de poderes militares, principalmente Rússia e Estados Unidos".

Essas nações, "juntamente com China, Israel e Coreia do Sul, estão a investir significativamente em armas com níveis decrescentes de controlo humano nas suas funções críticas, gerando temores de proliferação generalizada e corridas ao armamento, levando à instabilidade global e regional", sublinhou a organização internacional não-governamental.

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