Barão do Hospital marca chegada da Falua aos Vinhos Verdes

A Falua lançou, em Monção, a mais recente marca da Região dos Vinhos Verdes - Barão do Hospital - fruto de um significativo investimento, que traduz forte aposta na diversidade de produtos de reconhecida qualidade. As duas referências apresentadas - Alvarinho 2020 e Loureiro 2020 - expressam as características ímpares de um território de eleição.

É na sub-região vinícola de Monção e Melgaço, a poucos quilómetros da vila de Deu-la-Deu Martins, que fica localizada a Quinta do Hospital, senhora de um legado histórico enorme: a origem remonta ao século XII e foi assim apelidada por ali ter sido erguida, em terrenos doados por D. Teresa, uma estrutura regida pelos princípios dos Cavaleiros da Ordem Hospitalária de S. João de Jerusalém ou Ordem do Hospital, mais tarde, Ordem de Malta.

Desse modo, os Hospitalários instalaram-se no Condado Portucalense e davam cama, mesa e roupa lavada aos peregrinos que demandavam Santiago de Compostela.

O majestoso solar de gachas brasonadas, construído no século XVI junto à primitiva igreja, domina a vasta propriedade com uma área total de 25 hectares, que se estende aquém-Minho, bem ordenada e muito cuidada, por formoso vale, um dos mais impactantes da região, de solos graníticos com apontamentos de xisto e argila e calhau, abrigado dos ventos frios, o que proporciona um verdadeiro microclima.

Condições de excelência para a afirmação plena da casta Alvarinho numa parcela exclusiva de dez hectares, cuja antecâmara é formada por velhas oliveiras, algumas centenárias.

"A maturação mais longa das uvas, colhidas à mão e arrefecidas a cinco graus, exige uma viticultura de precisão", explica Antonina Barbosa, enóloga e diretora-geral da Falua, caminhando na tépida tarde entre as vinhas com sete anos de idade de um território que lhe é muito familiar.

A Quinta do Hospital reúne predicados que levaram à escolha da Falua para expandir para além da região Tejo a atividade no setor do vinho.

"É um investimento feito com muita motivação e em que acreditamos bastante», justifica Antonina Barbosa, sublinhando que "procuramos sempre projetos que levem muita excelência e diferenciação".

A escolha da sub-região de Monção e Melgaço é explicada "pelas características que conhecemos associadas à casta Alvarinho. É um território com condições naturais únicas e que nos permitem fazer vinhos distintos e de grande qualidade, de excelência para um posicionamento elevado, onde nos queremos situar nos próximos anos", refere aquela responsável.

A aquisição de uma moderna adega, dotada da mais moderna tecnologia, foi uma trave mestra deste projeto, uma vez que permite trabalhar da melhor forma a matéria-prima, ou seja, as uvas «sempre de elevada qualidade», reforça Antonina Barbosa.

A marca Barão do Hospital é uma homenagem a Joaquim Queirós, 11.º senhor da quinta e conta, para já, com duas referências com diferentes características:

Barão do Hospital Alvarinho 2020, produzido com 100% de uvas daquela casta, revela personalidade e evidencia longevidade, Bem estruturado, revela mineralidade e acidez bem integrada e um longo final de boca.

Vão ser colocadas 19 mil garrafas no mercado.

Loureiro 2020, fresco e elegante, evidencia notas florais e aromas cítricos, com um longo e intenso final de boca.

É um vinho feito a partir de uvas de Ponte de Lima (50 por cento), de Esposende e Marco de Canaveses.

A produção foi de 37 mil garrafas.

Ambos harmonizaram na perfeição com as criações gastronómicas dos renomados chefs António Vieira e Renato Cunha.

Um labor a quatro mãos para fazer chegar à mesa um salmonete acompanhado com migas de fígados e ovas, a anteceder o bacalhau confitado em azeite virgem extra, acolitado por puré de batata, couve penca e picles de cenoura e cebola.

Exportação em alta

O Grupo Roullier, um gigante mundial da agropecuária, presente em 131 países e com cerca de 8 500 colaboradores, adquiriu em 2017 a Falua, empresa da região do Tejo.

Uma aposta que Rui Rosa, administrador do grupo francês em Portugal, justificou com "a presença, há muitos anos, na viticultura. Temos equipa muito numerosa a trabalhar dia a dia na vinha. Quisemos ser viticultores e percebe as dificuldades e os benefícios que se extraem da vinha. Daí surgiu a vontade de ter vinhos".

Até final do ano passado, o grupo francês triplicou o número de colaboradores e investiu no setor cerca de 10 milhões de euros. Com a aquisição da Quinta do Hospital e da adega em Monção, a tendência "é estabilizar no imediato, embora isso seja muito relativo no nosso grupo», sublinhou Rui Rosa, que não esconde "a vocação exportadora", com as vendas no mercado externo a subirem de 60 para 75 por cento. "A exportação tem sempre um peso grande e com a situação de pandemia veio a acentuar-se esse aumento", explicou aquele responsável.

Com faturação na ordem dos sete milhões de euros, "a preocupação maior foi resistir. Agora, é tempo de aposta forte no volume de vendas e também na criação de valor e de novas marcas", adiantou Rui Rosa, que deixa em aberto a possibilidade, a médio prazo, de projetos noutras regiões. Algo que seja diferenciador. É isso que procuramos", sublinhou.

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