Abertura da 75.ª edição do festival de Avignon com "O Cerejal" de Tiago Rodrigues

O diretor do festival de Avignon, Olivier Py, tinha apostado numa edição do festival de Avignon sem limitações no número de espetadores, e não se enganou.

Durante as próximas três semanas, as salas de espetáculo estão prontas para acolher 100% da lotação das salas. E esta noite, por exemplo, dois mil espetadores são esperados na Cour d"Honneur do Palácio dos Papas. Um espaço à medida do Cerejal de Tiago Rodrigues. "Sabemos que a Cour d"Honneur no nosso espetáculo é sinónimo de cerejal. Este espaço é o nosso cerejal, a casa onde estamos, o passado, a memória, a beleza ou a coisa que se pode perder a qualquer momento", explicou diretor do Teatro Nacional D.Maria II.

Com um elenco de atores e músicos portugueses e francófonos, "O Cerejal" é a última obra de Tchekhov escrita em 1904, esta noite protagonizada pela atriz francesa Isabelle Huppert dirigida por Tiago Rodrigues. Em comum tinham a vontade de trabalhar um texto do dramaturgo russo.

"Muito rapidamente tropeçamos em Tchekhov porque é um autor que ambos admiramos e nos influencia, mas também porque nos faltava na nossa aventura artistas. Isabelle Huppert nunca tinha interpretado Tchekhov, o que achei incrível. Eu embora tenha representado Tchekhov no início do meu percurso como ator nunca tinha encenado Tchekhov embora seja a minha maior influência em termos de escrita de teatro", lembrou Tiago Rodrigues.

Existem vários protagonistas na adaptação de Tiago Rodrigues - neste Cerejal, Isabelle Huppert, o espaço, o cerejal e, claro, o público que regressa ao festival de Avignon.

"Quase no final da peça, quando Isabelle Huppert olha à volta para a casa que em breve será demolida, a velha casa da sua infância, esse lugar de memória, de passado, de beleza e diz: estes muros já viram tanta coisa - ces murs qui ont tant vu - e sai de palco, inevitavelmente pensamos na Isabelle Huppert que já representou diversas vezes na Cour d"Honneur, que fala da história daquele lugar mítico, da importância daquele lugar para o teatro e que o faz num momento em que estamos, depois da pandemia, a voltar a poder ocupar estes lugares", descreve.

Tiago Rodrigues é um forte candidato à sucessão de Olivier Py. O diretor do festival de Avignon deixa o cargo dia 1 de setembro de 2022. O anúncio vai ser revelado ao início da tarde pela ministra da cultura francesa, Roselyne Bachelot.

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