ACNUR pede à América do Sul que garanta acesso a pessoas afetadas na Bolívia

Escritório regional da ACNUR solicitou "com veemência" que estas nações "continuem a garantir o acesso ao (seu) território".

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) pediu esta quarta-feira aos países da América do Sul que garantam o acesso a pessoas que possam requerer proteção face à crise política na Bolívia.

Em comunicado, o escritório regional da ACNUR solicitou "com veemência" que estas nações "continuem a garantir o acesso ao (seu) território" àqueles que possam estar "a precisar de proteção internacional ou outras necessidades específicas de proteção, incluindo assistência humanitária".

Esta agência da ONU também manifestou a sua "profunda preocupação e consternação" com os persistentes "atos de violência e intolerância" na Bolívia. O ACNUR também se juntou ao apelo do Sistema das Nações Unidas na Bolívia "para recuperar a paz social" e impedir a violação dos direitos humanos "de todas as pessoas sem discriminação por qualquer motivo, incluindo opiniões políticas ou de outra natureza e nacionalidade ou qualquer outra condição social".

Após as eleições presidenciais de 20 de outubro, processo em que a oposição denunciou que foi cometida uma fraude, desencadearam-se protestos violentos a favor e contra o ex-Presidente Evo Morales que provocaram oito mortos e 476 feridos.

A situação agravou-se no passado domingo, quando Evo Morales anunciou a sua renúncia à Presidência, com incêndios, pilhagens e outros distúrbios em grande parte do país. As Forças Armadas concordaram em apoiar a polícia no combate ao vandalismo, especialmente em cidades como La Paz e El Alto.

Morales, agora exilado no México, considerou que a sua saída resultou de um "golpe de Estado", acusando os opositores, que negam a alegação e argumentam que as pessoas se ergueram contra a fraude que lhe havia garantido a reeleição.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse na terça-feira que quem cometeu um "golpe de Estado" na Bolívia foi Morales, que acusou de tentar "roubar" as eleições, nas quais foi declarado vencedor na primeira volta.

Uma auditoria da OEA ao processo eleitoral boliviano detetou graves irregularidades, recomendando a realização de novas eleições. A senadora da oposição Jeanine Áñez assumiu na terça-feira a Presidência interina da Bolívia, apoiada por um artigo da Constituição boliviana que permite a sucessão em caso de ausência do Presidente, uma vez que o parlamento ainda não se pronunciou sobre a carta de demissão de Evo Morales.

Añez autoproclamou-se Presidente interina numa sessão parlamentar sem quórum e sem a presença dos eleitos do partido de Morales, que têm dois terços dos assentos parlamentares. A Bolívia atravessa uma crise social e política desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados