Acordo no Eurogrupo "muito perto". Centeno apela ao espírito de compromisso

Reunião do Eurogrupo foi iniciada na terça-feira e ainda não foi possível chegar a acordo para a resposta comum à Covid-19.

Na quinta reunião de crise, no espaço de um mês, os ministros das Finanças da União Europeia (UE) vão novamente tentar um acordo sobre um plano de resposta ao impacto económico da crise do coronavírus.

Mário Centeno chamou esta quinta-feira os ministros das Finanças da UE para discutirem os detalhes de um plano que pode valer 540 mil milhões de euros, para relançar a economia, no pós-pandemia.

As divergências entre norte e sul acentuaram-se na reunião anterior. Mas, o presidente do Eurogrupo acredita que um acordo pode estar para breve. Antes do arranque dos trabalhos, Mário Centeno dramatizou o discurso, e apelou à unidade europeia.

"Estamos nisto juntos, todos em confinamento, com baixas a cada hora e sem fim à vista. Todos os dias somos lembrados de que este vírus é cego. Cego com as nossas bandeiras, sexo, cor ou classe social. Não há passageiros de primeira classe. Ou nadamos juntos, ou afundamo-nos juntos", alertou Mário Centeno, considerando que estamos perante "uma verdadeira emergência".

"Isto é global", enfatizou Centeno, numa mensagem emitida a partir de Lisboa, ainda antes do início aos trabalhos, que arrancaram com três horas de atraso, depois contactar por telefone, vários governos europeus, para tentar desbloquear o impasse.

"Estou a apelar a todos os Ministros das Finanças para concordarem com um plano ousado e ambicioso, para proteger as nossas economias, em resposta a esta ameaça comum", referiu, apontando para a necessidade "de uma rede de segurança para a Europa, para proteger os nossos trabalhadores, as nossas empresas e as finanças dos nossos países.

Mário Centeno espera que esse plano possa "dar a esperança de superar esta crise à medida que entramos em recessão".

"A boa notícia é que estamos muito próximos de um acordo. Confio, - ainda confio -, que desta vez todos vamos aproveitar a oportunidade e mostrar o compromisso necessário, que é a base da nossa união", afirmou.

Entretanto, França e a Alemanha concertaram posições, e deverão apresentar um plano conjunto nesta reunião por videoconferência. Em Haia, o governo holandês já anunciou que mantém a posição contra a mutualização de dívida e exige condições relativamente às linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Este mecanismo, criado no rescaldo da crise financeira de 2012, disponibilizaria 240 mil milhões de euros às economias mais expostas ao impacto da pandemia. Itália e Espanha aparecem na linha da frente. Mas, qualquer país que procure as baixíssimas taxas de juro propostas por este fundo, fica sujeito a condições de um programa de ajustamento, semelhantes ao tempo da troika.

Por isso, alguns países propõem o alívio das condições de empréstimo. O governo alemão está disponível para aliviar a condições. Mas, há um grupo de três resistentes, encabeçados pelos Países Baixos, mais a Áustria e a Finlândia, que rejeitam o "dinheiro grátis". A esta posição juntou-se agora a Dinamarca, exigindo que os beneficiários sigam a condições de um programa.

O ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra tem sido o homem no leme desta polémica. Na reunião da semana anterior tentou corrigir as afirmações que lhe valeram a crítica cerrada da imprensa dos países do sul, admitindo que as condições de financiamento do Mecanismo Europeu de Estabilidade mais ligeiras, desde que fossem destinadas a custear despesas médicas, durante a pandemia. Mas do que isto, nada.

"Vamos esperar e ver como isso vai correr hoje", disse o primeiro-ministro holandês, numa conferência de imprensa em Haia, horas antes da reunião do Eurogrupo, salientando que se trata de "um debate complicado na Europa, onde queremos mostrar solidariedade com o sul".

Mas, Mark Rutte frisou que sobre essa solidariedade, o seu ministro também "tem algumas considerações importantes a fazer", nomeadamente "ver como os países de ajudados podem fortalecer a sua posição competitiva".

"Isso não tem que ser agora, mas o que eles podem fazer após esta crise (...) para que as suas economias se fortaleçam? E, um segundo ponto é que não somos a favor de emissão de dívida comum na Europa. Esses são dois pontos importantes nesta discussão. E assim, todos os países têm os seus próprios desejos e, é claro, tenta alcançar os seus compromissos", afirmou Rutte.

Sobre as criticas de que o seu governo tem sido alvo, nos países do sul da Europa, Ruth considera que "não há muito para ficar impressionado. Isso também faz parte da fase em que as conversas estão agora".

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