AFP disponibiliza instalações em Gaza para acolher AP e Al-Jazeera

As forças armadas israelitas destruíram, este sábado, um edifício onde funcionavam os escritórios da agência de notícias AP e outros órgãos de imprensa, entre eles o dos serviços em inglês da Al-Jazeera.

A agência noticiosa France-Presse (AFP) anunciou hoje ter disponibilizado as suas instalações em Gaza para acolher a congénere Associated Press (AP) e os serviços em inglês da Al-Jazeera, após a destruição do edifico onde operavam por um bombardeamento israelita.

"A AFP decidiu acolher nas suas instalações em Gaza as equipas da AP e da AJEnglish [serviços em Inglês da televisão árabe Al-Jazeera], cujos escritórios foram destruídos pelo exército israelita", escreveu na rede social Twitter o diretor da France-Presse para o Médio Oriente e Norte de África, Sylvain Estibal.

Sábado, as forças armadas israelitas destruíram um edifício que albergava os escritórios da agência de notícias AP e outros órgãos de imprensa, entre eles o dos serviços em inglês da Al-Jazeera, em Gaza, num ataque à capacidade de os meios de comunicação reportar o que se passa no território.

O ataque, cujas razões continuam por explicar, aconteceu uma hora depois de os militares terem avisado o proprietário que iam atacar o edifício, ordenando a sua evacuação.

"O exército avisou o proprietário da torre em que a AP tem os seus escritórios que seria alvo" de um ataque, escreveu no Twitter Jon Gambrell, repórter da agência noticiosa norte-americana.

O bombardeamento destruiu completamente o edifício de 12 andares que, além da AP, acolhia ainda delegações da televisão árabe Al-Jazeera e outros meios de comunicação social, deixando uma gigantesca nuvem de pó no ar.

Numa declaração, o presidente da AP, Gary Pruitt, mostrando-se "chocado", afirmou que foi evitada "uma terrível perda de vidas" depois de se conseguir retirar todos os trabalhadores a tempo.

"Estamos chocados e horrorizados com o facto de o exército israelita ter como alvo e destruir o edifício que alberga o escritório da AP e outros meios de comunicação em Gaza. Há muito que conhecem a localização do nosso escritório e sabiam que os jornalistas estavam lá. Fomos avisados de que o edifício seria atingido", afirmou.

Até agora, desconhece-se se a disponibilidade da AFP foi aceite pela AP ou pela Al-Jazeera.

Hoje, pelo menos 33 palestinianos morreram, incluindo oito crianças, e 50 ficaram feridos na sequência dos ataques aéreos israelitas à Faixa de Gaza, sendo este o balanço mais mortífero desde que o conflito teve início e do qual já resultaram 181 mortos.

Entre as vítimas mortais de hoje contam-se ainda 12 mulheres, segundo avançaram as autoridades palestinianas de Saúde, que indicaram que as oito crianças morreram durante o bombardeamento a um bairro na cidade de Gaza, de que resultou a destruição de três prédios.

Já hoje tinha sido avançado que as forças israelitas efetuaram 50 bombardeamentos em menos de 15 minutos, tendo atingido a residência da família do líder do movimento islâmico Hamas, Yahya Sinwar, que não se encontrava em casa no momento do ataque.

As milícias palestinianas na Faixa de Gaza, por seu lado, lançaram cerca de 2.900 'rockets' contra Israel desde que este conflito começou, na passada segunda-feira, de acordo com dados avançados hoje pelo exército israelita e citados pela Efe.

Segundo um porta-voz militar, daquele total cerca de 450 'rockets' caíram dentro da Faixa de Gaza, enclave costeiro palestiniano, e cerca de 1.150 foram intercetados pelo sistema antimísseis israelita conhecido por "Cúpula de Ferro".

Os combates começaram a 10 de maio, após semanas de tensão entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram em confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Ao lançamento maciço de foguetes por grupos armados em Gaza em direção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza.

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