America Countdown... 87 dias. Recuos e problemas de representatividade

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - A HISTÓRIA NUNCA TEM SÓ AVANÇOS. A eleição de Obama em 2008 foi momento histórico e concretizou-se em ambiente de euforia. A vontade de se avançar para agenda reformista e transformadora parecia fortemente maioritária. Estaria feita viragem na página do preconceito e da divisão. Ainda que os anos Obama tenham sido marcados por sucessos em áreas significativas (descida do desemprego para mínimos históricos, aposta nas renováveis e na independência energética, acesso a cuidados de saúde para 20 milhões de americanos, eliminação de Bin Laden, acordos com Irão e Cuba), na parte da "reconciliação" o primeiro presidente negro dos EUA falhou completamente. Os EUA do fim da era Obama têm mais tensões raciais, estão mais polarizados e muito menos "unidos". A forma crispada como decorreu a eleição presidencial de 2016 terá sido a estocada final na vontade de fazer consensos fundamentais num país tão diverso. Esqueçam o "Yes We Can" de Obama em 2008. 2016 foi o ano do "I Alone Can Fix It" (Eu, sozinho, posso resolver isso) de Trump. Como se isso fosse possível: o sistema americano está montado para ter no Presidente o pivot, com mais poder é certo, mas sempre dependente de uma complexa rede de garantias, suportes e verificações. Não era suposto que a América estivesse preparada para ter um presidente de características autoritárias e tirânicas. Mas, neste momento, tem.

2 - UM PROBLEMA SÉRIO DE REPRESENTATIVIDADE. O mais dramático é que apenas 45,9% dos 54% de americanos que foram às urnas em novembro de 2016 preferiram esta bizarra solução. E durante o mandato o apoio ao Presidente nunca chegou aos 50% (e só por uma vez atingiu os 49%, ficando quase sempre entre os 40 e pouco e os 30 e muitos). Hillary Clinton teve mais quase três milhões e meio de votos, graças a vantagens enormes nos grandes centros urbanos. Só que não segurou os votos que precisava onde mais precisava: no Midwest. América das contradições, sempre com essas duas faces. Jon Stewart notou, em entrevista à CBS: "O mesmo país, com todas as suas virtudes, falhas, forças, volatilidades, resiliência e inseguranças, existe hoje como existia antes da eleição de 2016. O mesmo país que elegeu Donald Trump elegeu Barack Obama. Sinto pena pelas pessoas que ficarão mais inseguras e vulneráveis". Barack Obama garantia, na noite da sua reeleição, que "nos Estados Unidos da América, o melhor está sempre para vir". Na presidência de Donald Trump temos tido sempre a necessidade de nos preparar para que da América possa vir o pior. A 3 de novembro saberemos a resposta para o grande teste: ou os americanos apenas se enganaram (acontece a qualquer um) ou, então, não acham grave ter na Casa Branca alguém que não é bem um Presidente.

UMA INTERROGAÇÃO: Vai Joe Biden segurar todos os estados ganhos por Hillary Clinton em 2016 ou poderá Trump sonhar com o triunfo em territórios como a Virgínia ou o Colorado?

UM ESTADO: Washington

Resultado em 2016: Hillary 54,3%-Trump 38,1%

Resultado em 2012: Obama 56,2%-Romney 41,3%

Resultado em 2008: Obama 57,7%-McCain 40,5%

Resultado em 2004: Kerry 50,2%-Bush 44,6%

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 8 vitórias democratas, 4 republicanas - OS DEMOCRATAS GANHARAM AS 8 ÚLTIMAS)

- O estado de Washington (costa oeste) tem 7,7 milhões habitantes: 67,5% brancos, 13% hispânicos, 4,4% negros, 9,6% asiáticos; 49,9% mulheres

12 VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Washington - Biden 62/Trump 28

(SurveyUSA 22-27 julho)

* autor de quatro livros sobre presidências americanas

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