America Countdown... 90 dias. Acreditem: Trump não ia querer adiar a eleição

Germano Almeida, autor de quatro livros sobre presidências americanas, faz na TSF uma contagem decrescente para as eleições nos Estados Unidos. Uma crónica com os principais destaques da corrida à Casa Branca para acompanhar todos os dias.

1 - ADIAR A ELEIÇÃO? TRUMP NÃO DESEJA MESMO ISSO, ACREDITEM. Donald Trump não está a falar a sério quando exige adiamento das eleições. Ele sabe bem que não tem poder para isso nem há condições para tal. Seria precedente único em quase dois séculos e meio (até na Guerra Civil americana se votou para Presidente). Mas não é só isso. Se, por acaso, não houvesse eleições em novembro, o mandato de Trump expiraria a 20 de janeiro de 2021. O Artigo II da Constituição é muito claro sobre isso. Trump lança agora isto para manchar o processo eleitoral e antecipar a ideia de que uma mais que provável derrota nas urnas seria "fraudulenta". Mas então, sem eleições e com Trump a acabar o mandato, quem seria Presidente depois de 20 de janeiro? Mike Pence? Claro que não. O vice-presidente também acaba o seu mandato. Algum congressista da Câmara dos Representantes? Também não. Terminam todos o seu mandato a 3 de janeiro de 2021 e, sem eleições em novembro, a câmara baixa ficava sem qualquer congressista eleito, muito menos um "speaker" para eleger (sendo que o "speaker" aparece a seguir ao Presidente e vice-presidente na linha de sucessão). Isto ajuda-nos a perceber como nem uma pandemia parece ter força para adiar uma eleição geral na América. Os riscos de não fazer a eleição são maiores que os de fazer. Chuck Grassley, senador republicano do Iowa desde 1981, seria Presidente nesse cenário: tem o estatuto de "Presidente pro tempore" do Senado, por ser o republicano que está há mais tempo seguido em funções. Mas até isso geraria dúvidas: sem eleições em novembro, só 65 senadores se manteriam depois de janeiro de 2021. Desses, 35 são democratas, 30 republicanos. Ou seja, sem eleições, os democratas passariam a controlar o Senado - e Chuck Grassley não faria parte da maioria. Muito provavelmente, os democratas passariam o estatuto de "Presidente pro tempore" ao senador Pat Leahy, democrata do Vermont, esse sim o senador há mais tempo em funções (desde 1975).

2 - E SE ADIAR A ELEIÇÃO DESSE EM... "PRESIDENTE BIDEN"? Mas nada na lei obriga a escolher o "Presidente pro term". Apenas a tradição. E sem eleições, com maioria democrata no Senado por "default", a bancada democrata até poderia escolher alguém como Elizabeth Warren ou Amy Klobuchar, senadoras que somaram bons desempenhos na corrida à nomeação democrata. Mas também podem fazer outra coisa: nomear Presidente qualquer cidadão americano, nascido em solo dos EUA, com mais de 35 anos, com exceção de Bill Clinton, Barack Obama e George W. Bush (os três americanos vivos que já completaram dois mandatos presidenciais, sendo que a lei não permite terceiro). Até podiam nomear... Hillary Clinton ou Al Gore (dois democratas que ganharam o voto popular mas não foram eleitos) ou, claro, Joe Biden - o nomeado presidencial democrata para 2020 que lidera folgadamente as sondagens. Num cenário tão estranho como esse de não haver eleição em novembro, talvez fosse a saída mais segura e justa. Mas só para esclarecer: isso não vai acontecer. A Câmara dos Representantes de ampla maioria democrata nunca aprovará um adiamento da eleição, nem mesmo um Senado de maioria republicana. É só mesmo Trump a atirar o processo eleitoral para a lama.

UMA INTERROGAÇÃO: Como vão lidar os congressistas republicanos com a previsível insistência de Donald Trump na irresponsabilidade de dizer que a eleição será "fraudulenta", sem que haja qualquer evidência disso?

UM ESTADO: Alasca

Resultado em 2016: Trump 51,3%-Hillary 36,6%

Resultado em 2012: Romney 54,8%-Obama 40,8%

Resultado em 2008: McCain 59,4%-Obama 37,9%-

Resultado em 2004: Bush 61,2%- Kerry 27,7%-

(nas últimas 12 eleições presidenciais, 12 vitórias republicanas)

- O Alasca tem 735 mil habitantes (é o maior estado em território e o menor em população): 36,8% brancos, 15,6% nativos americanos índios ou nativos-alasca, 7,3% hispânicos, 3,7% negros, 6,5% asiáticos; 47,9% mulheres

3 - VOTOS NO COLÉGIO ELEITORAL

UMA SONDAGEM: Alasca - Trump 50/Biden 44

(Public Policy Polling 23-24 julho)

* autor de quatro livros sobre presidências americanas

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