Amontoados em celas e sem casas de banho. Médicos Sem Fronteiras denunciam situação de refugiados na Líbia

A organização de ajuda humanitária pede à União Europeia que assuma as suas responsabilidades e faça um acordo com a Líbia, para que os migrantes sejam recebidos pelos países europeus.

Os Médicos Sem Fronteiras denunciam as condições desumanas em que estão detidos os refugiados, na Líbia. A organização de ajuda humanitária culpa a Europa pela situação em que estão centena migrantes capturados esta semana e pede um acordo, para que a União Europeia receba estas pessoas.

Muitos migrantes, vindos de vários países do Norte de África, da Síria e do Afeganistão, viajam para a Líbia numa tentativa de alcançar a Europa. Perto de 600 refugiados foram detidos, esta semana, em Trípoli, junto um centro de ajuda humanitária das Nações Unidas, que foi encerrado. Os migrantes estavam a protestar pacificamente, pedindo para serem transferidos para outros países.

Em declarações à TSF, Ellen van der Velden, chefe de operações dos Médicos Sem Fronteiras, conta que houve pessoas que foram atingidas a tiro, durante as detenções: "Muitas pessoas ficaram feridas".

A organização não-governamental explica que os refugiados foram levados para um centro de detenção, em Trípoli, que não cumpre as condições mínimas.

"Estes centros de detenção são, habitualmente, edifícios industriais. Não foram criados, de todo, para qualquer forma de habitação humana. Não têm ventilação, não têm casas de banho, não têm água... Só um monte de colchões no chão e centenas ou milhares de pessoas que são amontoadas em celas", descreve Ellen van der Velden.

Os Médicos Sem Fronteiras têm uma equipa na Líbia, que procura prestar cuidados de saúde aos migrantes detidos. Ellen relata que os profissionais estão "a tratar, maioritariamente, das doenças que as pessoas apanham pelas condições em que estão detidas". "Têm doenças de pele, o que é um indicador do facto de as pessoas não poderem propriamente tomar banho."

"Há pessoas que ficam gravemente doentes e depois temos de negociar com as autoridades, para podermos levá-las para um hospital, porque, de outra forma, elas morrem", frisa.

Ellen van der Velden explica que as detenções são feitas arbitrariamente e que há pessoas que ficam presas por mais de um ano, sem justificação. Os migrantes só têm a hipótese de tentar fugir ou de serem extorquidos pelos guardas do centro, em troca da liberdade. Uma situação pela qual os Médicos Sem Fronteiras responsabilizam a Europa.

"Nós culpamos totalmente as autoridades europeias. Afinal, são elas que estão a apoiar a guarda costeira da Líbia, que está a trazer todos estes migrantes de volta, quando sabem que vão ser detidos. Também culpamos os Estados europeus por ignorarem o que está a acontecer nos centros de detenção. Isto tem de parar", sublinha.

A organização defende que a Europa tem de negociar com a Líbia, para acabar com os centros de detenção, e aceitar a entrada de refugiados nos países europeus.

Já em outubro, as autoridades da Líbia tinham sido censuradas internacionalmente, depois de terem detido milhares de migrantes e morto a tiro seis pessoas, num centro de detenção em Trípoli.

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