George W. Bush critica retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão

Para o antigo presidente dos Estados Unidos, a saída dos militares é "um erro" e abre porta ao massacre de civis inocentes.

O antigo presidente dos Estados Unidos George W. Bush considera um erro a retirada das tropas do Afeganistão. Em entrevista à Deutsche Welle, Bush criticou a decisão do atual Presidente, Joe Biden, que anunciou a retirada das tropas norte-americanas até 31 de agosto.

Para o antigo presidente, a saída dos militares vai abrir a porta ao massacre de civis inocentes, entre eles mulheres, crianças e jovens.

"Infelizmente, receio que as mulheres e raparigas afegãs vão sofrer muito", diz, acrescentando que a retirada é "um erro, porque as consequências seriam inacreditavelmente más".

"Estou triste. Penso em todos os que ajudaram não só as tropas americanas, mas também da NATO. E parece que vão ser deixados para trás, para serem dizimados por esta gente muito brutal. Parte-me o coração", afirma.

O ex-presidente, que enviou tropas para o Afeganistão no outono de 2001, após os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center, em Nova Iorque, está na Alemanha para se reunir com Angela Merkel e acredita que a chanceler alemã pensa da mesma forma.

O ex-presidente prestou uma homenagem à "classe e dignidade" de Merkel, que deixará o cargo no outono, após 16 anos como líder do governo da Alemanha.

O chefe das forças militares dos Estados Unidos e da NATO no Afeganistão, general Austin Scott Miller, deixou esta segunda-feira as funções, no quadro da retirada definitiva das tropas estrangeiras do território afegão, onde os talibãs continuam a conquistar terreno.

Numa cerimónia em Cabul, Miller, que comandava as forças da coligação no país desde setembro de 2018, passou a chefia ao general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central do Exército (CenCom) norte-americano, com sede na Florida (sudeste) e responsável pelas atividades militares dos Estados Unidos em 20 países do Médio Oriente e da Ásia central e do sul, entre eles o Afeganistão.

Com a passagem das funções de comando, em que os Estados Unidos dão mais um passo para por fim a 20 anos no Afeganistão, McKenzie assume a responsabilidade de poder autorizar e liderar eventuais ataques aéreos para defender o regime de Cabul, pelo menos até à retirada total das tropas norte-americanas do país, prevista para 31 de agosto.

As forças dos Estados Unidos e da NATO começaram a retirar-se do Afeganistão no início de maio e devem sair completamente a 11 de setembro, 20 anos depois de terem chegado ao país atormentado pela guerra.

A maioria dos 2500 soldados dos EUA e 7500 da NATO, que estavam no Afeganistão quando o Presidente dos EUA, Joe Biden, detalhou a retirada final, em abril, já se retiraram, deixando as tropas afegãs a lutar contra os talibãs que ocupam agora grande parte do território afegão frente a um Exército local fraco e desorganizado, que se vê privado do essencial apoio aéreo do Exército americano.

Segundo o Pentágono, 90% das tropas e equipamentos norte-americanos já deixaram o país. Algumas centenas de militares norte-americanos permanecerão no Afeganistão para defender a embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

A ONU disse no domingo que o conflito está a causar "mais sofrimento" em todo o país devastado pela violência. Biden insistiu, entretanto, que é hora de o envolvimento dos EUA na guerra terminar e os afegãos traçarem o seu próprio futuro.

A 8 de julho, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou que a maioria das tropas britânicas que ainda estavam no Afeganistão, ou seja, 750 soldados designados para apoiar o treino de militares afegãos, já deixou o país.

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