Austrália anuncia fim da operação de retirada do Afeganistão

Scott Morrison afirmou que o número de pessoas retiradas era três vezes superior ao previsto por Camberra.

O Governo australiano anunciou esta sexta-feira o fim da retirada do Afeganistão, tendo as tropas deixado o país antes do atentado terrorista de quinta-feira, em Cabul, que causou 60 mortos e 140 feridos.

"Posso confirmar que, não muito antes do ataque, as tropas australianas e o resto do nosso pessoal estavam em movimento e fora de Cabul", disse o ministro da Defesa australiano, Peter Dutton.

A Austrália retirou mais de quatro mil pessoas, incluindo 3.200 australianos, afegãos e outras nacionalidades em 29 voos das Forças de Defesa australianas e neozelandesas, nos últimos oito dias, declarou o primeiro-ministro australiano.

Scott Morrison afirmou que o número de pessoas retiradas era três vezes superior ao previsto por Camberra.

Na quinta-feira, um duplo atentado suicida abalou o aeroporto de Cabul, causando pelo menos 60 mortos e 140 feridos, na maioria afegãos que tentavam embarcar em voos dos países aliados, que também sofreram baixas.

Antes, o Governo australiano tinha avisado os seus cidadãos no Afeganistão para se afastarem do aeroporto de Cabul por causa da "alta ameaça" de um ataque terrorista.

Morrison condenou os atentados perpetrados em Cabul "contra pessoas inocentes e corajosas".

"Juntamo-nos aos nossos amigos americanos e afegãos no luto pela terrível e chocante perda", disse o primeiro-ministro, referindo-se à morte de dezenas de afegãos e pelo menos 13 militares norte-americanos nos atentados bombistas no aeroporto.

De acordo com os últimos números da Casa Branca, as forças dos Estados Unidos e da coligação retiraram ou ajudaram a sair mais de 100 mil pessoas, cerca de 7.500 só na quinta-feira, do aeroporto de Cabul.

Washington atribuiu os atentados ao ramo afegão do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e disse que um bombista suicida se fez explodir na quinta-feira, num dos acessos do aeroporto de Cabul, denominado Abbey Gate, e pouco depois um segundo ativou um engenho explosivo perto do Hotel Baron, nas imediações do aeródromo.

Na sequência dos dois atentados suicidas, combatentes do EI, que no Afeganistão é considerado inimigo dos talibãs, abriram fogo contra civis e militares na zona.

Posteriormente, num comunicado divulgado pela agência de propaganda, Amaq, o Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISKP, na sigla em inglês) afirmou que um dos seus combatentes passou "todas as fortificações de segurança" e colocou-se a menos de "cinco metros de militares norte-americanos", tendo então detonado o cinto de explosivos.

O comunicado só mencionou um bombista suicida e apenas uma bomba.

Os talibãs conquistaram Cabul em 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital pôs fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e aliados na NATO, incluindo Portugal.

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