Autarca de Mariupol acusa Rússia de querer sitiar a cidade

O autarca da cidade, Vadim Boïtchenko, acusou as forças russas de estarem "a tentar impor um bloqueio, como em Leninegrado".

O presidente da câmara da cidade ucraniana de Mariupol acusou esta quinta-feira as forças russas de quererem sitiar a cidade, impedindo a fuga de pessoas ou a receção de provisões no principal porto ucraniano do mar de Azov.

"Destruíram as pontes, destruíram os comboios para nos impedir de levar as nossas mulheres, crianças e idosos e estão a impedir-nos de obter alimentos e provisões", acusou o autarca Vadim Boïtchenko em mensagens publicadas na rede Telegram.

As forças russas e pró-russas "estão a tentar impor um bloqueio, como em Leninegrado", acrescentou, referindo-se à cidade soviética que voltou a chamar-se São Petersburgo, vítima de um terrível cerco nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

"Há sete dias que estão a destruir deliberadamente as infraestruturas vitais da cidade. Não temos eletricidade, nem água, nem aquecimento novamente. As hordas militares de [Presidente russo] Vladimir Putin estão a bombardear a cidade e não permitem a saída de ninguém: nem de feridos, nem de mulheres nem de crianças", explicou.

O autarca desta cidade de língua russa admitiu também estar indignado com a justificação da Rússia para a invasão da Ucrânia, já que foi referido que a intenção era "salvar" as populações de língua russa de um suposto "genocídio" ucraniano.

"Na realidade, são eles [russos] que estão a cometer o genocídio de nossa população que é de origem ucraniana, russa e grega", sublinhou.

O controlo de Mariupol, cidade onde vivem 441.000 habitantes, é estratégico para a Rússia, já que permite assegurar a continuidade territorial entre as suas forças na Crimeia e as dos territórios separatistas pró-russos de Donbass.

Segundo Moscovo, os dois grupos uniram forças na costa do mar de Azov na terça-feira, tendo os separatistas anunciado na quarta-feira que a cidade estava cercada.

A Rússia lançou há uma semana uma ofensiva militar na Ucrânia com três frentes e recorrendo a forças terrestres e a bombardeamentos em várias cidades.

As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças. A ONU já deu conta de mais de um milhão de refugiados.

O Presidente russo justificou a "operação militar especial" na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

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