Bolsonaro apoiava três candidatos a prefeito em capitais estaduais. Perdeu nas três

Além do Rio, os candidatos bolsonaristas em Belém e em Fortaleza também perderam.

Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, o Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva, sempre governou, pelo menos, uma capital estadual. Nos próximos quatro anos não vai governar nenhuma.

As derrotas do atual Presidente da República e do antigo chefe de Estado são as principais notas da segunda volta das municipais brasileiras, disputadas em 57 dos 5565 municípios do país e envolvendo mais de 38 milhões de eleitores.

Desses 38, nove votaram na cidade São Paulo, o principal colégio eleitoral brasileiro que se tornou uma boa ilustração do que se passou no Brasil: venceu Bruno Covas, do PSDB, de centro-direita. Porque foi o centro, tanto o centro-direita, como o centro-esquerda, representados por uma infinidade de partidos, o grande vencedor da disputa autárquica, conquistando a maioria das cidades mais populosas.

Covas, o atual prefeito paulistano de 40 anos, que está a recuperar de um cancro no aparelho digestivo, teve 60% dos votos, derrotando o surpreendente Guilherme Boulos, de 38, do PSOL, considerado o Bloco de Esquerda brasileiro.

No seu discurso de vitória, Covas não criticou Boulos: optou por um discurso nacional cheio de recados a Bolsonaro, afirmando que a eleição é "o princípio do fim do ódio, das mentiras, do obscurantismo e do negacionismo no Brasil".

Um discurso semelhante ao de Eduardo Paes, do DEM, também de centro-direita, que conquistou dois terços dos votos no Rio de Janeiro, numa vitória esmagadora sobre Marcelo Crivella, o preferido de Bolsonaro e sobrinho do bispo Edir Macedo, que concorreu pelo Republicanos.

Além do Rio, os candidatos bolsonaristas em Belém e em Fortaleza também perderam.

Uma das eleições mais aguardadas, entretanto, ocorria no Recife, onde as sondagens davam um empate a 50% entre João Campos, do PSB, de centro esquerda, e Marília Arraes, do PT, que são primos.

Campos acabou por vencer a prima com cerca de 14 pontos de avanço, arruinando o projeto de Lula de ver o PT governar na capital do estado onde nasceu.

Nota ainda para Goiânia, onde Maguito Vilela, do MDB, mesmo hospitalizado há semanas em estado grave com Covid-19 e sem participar na campanha, foi eleito. Inconsciente, ele ainda nem sabe que ganhou.

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