Jair Bolsonaro está infetado com Covid-19. "Não é preciso entrar em pânico"

O teste ao novo coronavírus do Presidente brasileiro deu positivo.

Jair Bolsonaro está infetado com o novo coronavírus. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo próprio chefe de Estado em declarações aos jornalistas.

Na segunda-feira, Bolsonaro revelou à CNN Brasil que tinha sintomas, como 38 graus de febre, e que está a tomar hidroxicloroquina, o fármaco cuja eficácia no tratamento deste vírus não é consensual entre os especialistas.

É caso para dizer que o feitiço se virou contra o feiticeiro. Jair Bolsonaro desvalorizou os sintomas do vírus, no início da pandemia, afirmando mesmo que, caso fosse infetado, não passaria de uma "gripezinha ou resfriadinho".

Aos jornalistas, esta tarde, Bolsonaro não adiantou que medidas adicionais vai tomar, mas garantiu que "não é preciso entrar em pânico".

"A vida continua. No Brasil temos de voltar a trabalhar, caso contrário, a economia pode ficar numa situação complexa. Não se pode combater o vírus com a economia fechada. Caso contrário, o efeito colateral do vírus vai ser ainda pior", recordou Bolsonaro.

No final da intervenção, o Presidente Brasileiro pediu aos jornalistas que se afastassem e, sem máscara, afirmou que "está tudo em paz". Bolsonaro agradeceu aos que torceram por ele, já aos que criticaram, "não tem problema, podem continuar a criticar".

"Vamos tomar cuidado com os mais idosos. Os mais jovens tomem também cuidado, mas fiquem tranquilos. Para vocês, a possibilidade de algo mais grave é próxima de zero", finalizou Bolsonaro.

O país sul-americano é o segundo mais afetado pela pandemia em todo o mundo. Totaliza 65 487 vítimas mortais e 1 623 284 casos confirmados desde o início da pandemia no país, registada oficialmente em 26 de fevereiro.

"Força Covid" é tendência no twitter. As reações ao teste positivo de Bolsonaro

Entre as reações ao teste positivo para Covid-19 de Bolsonaro, destaque para Fernando Haddad, o candidato à presidência derrotado nas eleições de 2018.

"Lamento pelos mais de milhão e 600 mil brasileiros infetados e pelo facto de termos entre nós o pior gestor de crise do mundo. Desejo que todos se restabeleçam, inclusive Bolsonaro. Aos familiares dos que se foram em meio ao descaso do governo, meus sinceros sentimentos".

Sâmia Bonfim, deputada do PSOL, partido de esquerda e portanto das oposição, perguntou "será que a contaminação de Bolsonaro vai fazê-lo repensar o plano de obrigar o Brasil a atravessar a pandemia sem ministro da saúde? Ou a ideia dele é ampliar ainda mais o lobby da cloroquina? Será empático com as demais vítimas? Ou seguirá defendendo a morte? O Brasil cobrará".

Sergio Moro, que desde que se demitiu do ministério da justiça se tornou adversário político do presidente, desejou apenas um rápido restabelecimento.

Uma das hashtags mais partilhadas da rede social twitter no Brasil, entretanto, foi "força Covid", divulgada sobretudo, claro, por opositores do presidente.

Carlos Bolsonaro e outros bolsonaristas responderam que há muitos Adélios Bispos à solta, numa alusão ao homem que esfaqueou Bolsonaro em campanha eleitoral.

A imprensa, entretanto, fez um rápido apanhado das declarações mais controversas de Bolsonaro ao longo dos últimos meses a propósito da pandemia.

Chamou o Covid-19 de "histeria" e de "gripezinha" e ainda afirmou que, graças ao seu "histórico de atleta", não correria riscos se fosse contaminado.

Indagado sobre o número de mortes no Brasil, um dos mais atingidos à escala mundial pela doença, respondeu que não era "coveiro" e reagiu com um célebre "e daí?", quando confrontado com o recorde diário de mortes no dia 28 de abril.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro demitiu dois ministros da saúde, sobretudo por conflito de opinião a propósito do isolamento social.

A taxa de letalidade da Covid-19 no Brasil está nos 4% esta segunda-feira, quando 927.292 pacientes infetados já recuperaram e 630 505 doentes continuam sob acompanhamento.

* com Francisco Nascimento

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