"Casa de Portugal" no aeroporto internacional de Cabul está quase a fechar as portas

A 31 de maio saem os últimos militares. A maior parte do contingente chegou a Lisboa esta segunda-feira.

Foi uma missão desafiante e complexa, que ficou ainda mais complicada com a pandemia, diz à TSF o major de Infantaria Marco Silva que, em janeiro, assumiu o comando da 6.ª Força Nacional Destacada na missão da NATO "Resolute Support Mission".

Portugal iniciou a participação na Resolute Support Mission, da NATO, em maio de 2018 e, nos últimos quatro meses, os militares portugueses constituíram a Força de Reação Rápida tendo como missão garantir a segurança do aeroporto na capital afegã. Fizeram missões de patrulhamento e controlo num aeroporto por onde, todos dos dias, passavam três mil pessoas, entre civis e militares.

Todos os dias tiveram de intervir por "situações mais ou menos complexas", mas foi para isso que se prepararam de forma intensa durante meses. Sendo uma Força de Reação Rápida, são os primeiros militares a avançar "em qualquer tipo de situação, incidente ou ameaça, dentro da base" e isso, explica o Comandante da Força de Reação Rápida, "implica que o estado de prontidão dos militares seja muito grande", ou seja, têm de reagir rapidamente a qualquer situação num espaço de dois ou três minutos.

O contingente que fecha a participação portuguesa nesta missão da NATO é constituído por 170 militares do Exército, um grupo que representa Portugal porque, como diz o major Marco Silva, neste contingente há militares do continente, mas também das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. A experiência foi enriquecedora, quer a nível pessoal, quer profissional.

Do Afeganistão, trazem experiência e mais conhecimento, sublinha o comandante da Força de Reação Rápida. E, se o trabalho obrigava a uma permanência constante no aeroporto internacional de Cabul, a Covid-19 ainda trouxe mais confinamento.

A doença também afetou as forças aliadas, mas o major Marco Silva prefere não falar sobre os militares portugueses, garantindo apenas que "todos vão regressar a Portugal de boa saúde".

A maior parte do contingente deixou Cabul esta segunda-feira. Ficam apenas os militares necessários para finalizar a "retração", ou seja, a retirada de todo o material e equipamento que foi sendo acumulado ao logo dos anos. Vão ser necessários quatro voos para trazer todo o equipamento.

A "Casa de Portugal", o pequeno espaço onde se bebia um café, uma água, um sumo, e onde era possível ver as notícias nos canais portugueses de televisão e dar dois dedos de conversa, sempre com os cuidados exigidos pela pandemia, fecha as portas. O último militar português na missão da NATO "Resolute Support" deixa Cabul a 31 de maio.

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