Chefes de diplomacia da UE discutem escalada militar russa na Ucrânia com os EUA

A videoconferência ocorre numa altura em que permanece a séria ameaça de um ataque russo, apesar de todos os esforços que estão a ser feitos no plano diplomático, designadamente através dos Estados Unidos, o interlocutor com o qual Moscovo aceitou dialogar.

Os chefes de diplomacia da União Europeia discutem esta segunda-feira a tensão no Leste da Europa, à luz do conflito entre Ucrânia e Rússia, num Conselho, em Bruxelas, no qual participará por videoconferência o chefe da diplomacia norte-americana, Anthony Blinken.

Pouco mais de uma semana após a reunião informal em Brest, França, celebrada a 12 e 13 de janeiro, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, entre os quais Augusto Santos Silva, voltam a reunir-se sem que a situação de tensão entre Ucrânia e Rússia tenha desanuviado, persistindo a séria ameaça de um ataque russo, apesar de todos os esforços que estão a ser feitos no plano diplomático, designadamente através dos Estados Unidos, o interlocutor com o qual Moscovo aceitou dialogar.

Ao longo da última semana, enquanto prosseguiram as negociações entre Washington e Moscovo em torno das exigências russas para não atacar a Ucrânia, que considera uma ameaça à sua segurança nacional, a União Europeia insistiu que qualquer nova agressão militar russa contra a integridade territorial e soberania da Ucrânia terá um preço elevado, acenando com a ameaça de "sanções económicas e financeiras maciças".

Isso mesmo reiterou na passada quinta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recordando que o bloco europeu é, "de longe", o maior investidor e parceiro económico da Rússia.

Fontes diplomáticas indicaram que os 27 não deverão, todavia, discutir esta segunda-feira "sanções específicas" contra Moscovo - que encarregaram a Comissão Europeia de elaborar -, embora o Conselho deva reafirmar esta segunda-feira de forma clara que está preparado para responder a qualquer ataque da Rússia, que Washington continua a apontar como provável.

Também porque a UE quer agir em estreita coordenação com os Estados Unidos e outros aliados membros da NATO, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell - que preside às reuniões de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 -, convidou o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, a participar, por videoconferência, na reunião desta segunda-feira.

De acordo com a agenda da reunião, os ministros serão atualizados sobre os últimos desenvolvimentos relativamente às manobras militares da Rússia junto à fronteira com a Ucrânia e serão informados sobre os últimos esforços diplomáticos em curso, estando prevista uma "troca de pontos de vista informais" com Anthony Blinken, que participará nos trabalhos por videoconferência.

No domingo, Blinken, em entrevista à CNN, reiterou que qualquer ataque russo contra a Ucrânia merecerá uma resposta "rápida e dura por parte dos Estados Unidos e da Europa", sublinhando o alinhamento de posições, que deverá ser reafirmado nesta segunda-feira.

Da agenda da reunião dos chefes de diplomacia europeus constam ainda debates sobre a situação na Síria, no Mali, no Sudão, e as relações da UE com o Indo-Pacífico.

Portugal estará representado pelo ministro Santos Silva, que, à margem do Conselho, tem também agendado um encontro com o presidente da Cruz Vermelha Internacional, Peter Maurer.

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