Desinformação em África "é tão infecciosa e perigosa como novo coronavírus"

A OMS diz que as notícias falsas dificultam a prevenção da doença no continente.

A diretora regional da OMS para África afirmou esta quinta-feira que ao mesmo tempo que a região combate o novo coronavírus tem de lutar contra uma "desinformação altamente infecciosa e perigosa", que causa estigma e dificulta a prevenção da doença.

Matshidiso Moeti falava durante a conferência de imprensa 'online' da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a evolução da pandemia no continente, hoje dedicada ao tema da desinformação sobre a covid-19 em África.

"Em África, e também globalmente, enfrentamos um duplo desafio sem precedentes na resposta à covid-19. Estamos a combater um vírus altamente infeccioso e perigoso e uma desinformação altamente infecciosa e perigosa", disse.

E acrescentou: "A desinformação prejudica a saúde física e mental das pessoas. Aumenta o estigma e a ansiedade, ameaça os ganhos de saúde que são preciosos e reduz a adesão a medidas preventivas, como o uso de máscaras".

Moeti aproveitou a ocasião para anunciar a criação da Aliança Africana de Resposta Infodémica, a "primeira do género", que junta organizações governamentais e não-governamentais e especialistas de todo o continente.

"Através desta nova Aliança iremos trabalhar com verificadores de factos e com os meios de comunicação social para corrigir conceitos errados, teorias e rumores conspiratórios e com os peritos técnicos para garantir que as pessoas possam aceder a informação precisa, concisa e atempada", prosseguiu.

Também presente nesta conferência, a subsecretária-geral para as comunicações globais das Nações Unidas, Melissa Fleming, salientou: "Vivemos numa paisagem mediática poluída que tem desinformação tóxica misturada com a boa informação".

"Quando a pandemia de covid-19 atingiu o mundo, apercebemo-nos de que estávamos perante uma crise global de saúde pública sem precedentes. Mas, ao mesmo tempo, ficou claro para nós, na ONU, que também estávamos a enfrentar uma crise de comunicação sem precedentes", declarou.

Melissa Fleming deixou um apelo: "Antes de alguém publicar um 'post' ou partilhar uma publicação numa rede social respire fundo, faça uma pausa e verifique a fonte da informação".

A responsável da ONU reconheceu a importância de uma boa informação para ajudar a divulgação de boas práticas, como acontece na Nigéria, onde uma rádio transmite conselhos de saúde pública, atingindo 60% da população.

Adinoyi Ben Adeiza, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, insistiu na necessidade das comunidades confiarem em quem trabalha com elas. "Se as comunidades não confiam em nós, não seguem os nossos conselhos", apontou.

"As epidemias começam e terminam nas comunidades. São as ações dos membros da nossa comunidade que irão ou manter ou acabar com um surto", referiu.

Por seu lado, Guy Berger, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), alertou para a necessidade de uma informação séria que não permita o crescimento da menos séria.

"Onde há falta de informação pública aberta e fiável há campos férteis onde as falsidades podem florescer, especialmente em canais privados, como as redes sociais", vincou.

Ahmed Ogwell Ouma, do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), também notou a importância da informação na vida quotidiana, ainda mais quando o tema é a saúde.

"Quando essa informação não é exata torna-se prejudicial", considerou Ouma, lamentando que a má informação corra mais depressa do que a boa informação.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.482.240 mortos resultantes de mais de 63,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em África, há 52.490 mortos confirmados em mais de 2,1 milhões de infetados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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