"É um campo destruído, não sobrou nada." Voluntária portuguesa relata incêndio em Lesbos

O incêndio que deflagrou no maior campo de refugiados de Lesbos, na Grécia, desalojou 13 mil pessoas.

"A situação está dramática", descreve à TSF a voluntária da Fénix Humanitarian Legal Aid. Inês Avelãs conta que o maior campo de refugiados na Ilha de Lesbos, que alojava 13 mil pessoas, está destruído. "Estão completamente destruídos os escritórios que tratam dos processos de asilo, a maior parte das zonas onde se situam as tendas, bem como o hospital que foi criado por causa da Covid-19", conta.

Para se protegerem das chamas que só foram apagadas de madrugada, os migrantes refugiaram-se onde puderam. No entanto, tanto eles como as organizações humanitárias que os acudiram foram alvo de violência por parte dos habitantes locais da ilha grega. "Houve várias situações de violência, e as pessoas esconderam-se nas florestas à volta do campo, outras conseguiram chegar até à capital" da ilha.

"As organizações médicas foram as primeiras a ser acionadas e foram as que sofreram maior violência", relata. " Há carros estragados e foram atiradas pedras aos trabalhadores destas organizações humanitárias", adianta. A voluntária explica que, para além do incêndio que estava a decorrer com força e de saber o que fazer com as pessoas que estavam a fugir sem terem nada, as organizações não-governamentais (ONG) tiveram que gerir esta situação de violência.

Inês Avelãs conta que durante a tarde o Governo grego deverá decidir o que fazer às cerca de 13 mil pessoas que estavam no campo de refugiados. " Houve apenas uma informação de que os menores desacompanhados serão transferidos para o continente, para Atenas ou outra cidade".

A TSF falou também com Tiago Marques, que encabeçou em março deste ano uma carta subscrita por 200 voluntários e enviada ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, para que Portugal acolhesse mais refugiados. "As condições no campo são paupérrimas e agravaram-se com a pandemia", relata.

Tiago Marques esteve em Lesbos e no campo de Moria em 2016. Fala de um campo sem saneamento básico, onde se amontoam os refugiados em tendas de lona ou contentores. "Foi criado para no máximo 5 mil pessoas e já teve mais de 20 mil", conta."Nas últimas semanas os refugiados em isolamento eram deixados ao abandono", garante. "A situação das pessoas que lá viviam agravou-se de tal forma que atingiu o desespero", conclui.

Depois do incêndio naquele campo de refugiados, na Grécia, teve início uma recolha de fundos.

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