"Eleições mais fraudulentas da história." Trump sugere adiamento das presidenciais nos EUA

Presidente norte-americano alega risco de fraude nos votos por correspondência para pedir o adiamento das eleições.

Donald Trump evocou hoje, pela primeira vez, a possibilidade de adiar as eleições presidenciais de novembro, alegando a existência de risco de fraude.

"Com o voto por correspondência [...] 2020 terá as eleições mais inexatas e fraudulentas da história", escreveu Trump na rede social Twitter.

"Será uma verdadeira vergonha para os Estados Unidos. Adiar as eleições até que as pessoas possam votar normalmente, com toda a segurança?", acrescentou.

Na opinião do investigador Tiago Moreira de Sá, o Presidente norte-americano tem receio de ser o primeiro presidente a falhar a reeleição.

"Há aqui três dimensões distintas. A primeira tem a ver com o facto de as sondagens não estarem a correr bem, por isso estas afirmações revelam uma preocupação muito grande com o resultado eleitoral de novembro. A segunda tem a ver com a estratégia de criar uma narrativa, caso perca as eleições, para dizer que não as perdeu e a terceira tem a ver com uma disputa, que já vem de trás, sobre o voto à distância, com o qual Donald Trump está contra", explicou à TSF Tiago Moreira de Sá.

O especialista considera que o Presidente não pode adiar eleições. A decisão cabe à Câmara dos Representantes, onde o partido de Trump está em minoria. Essa é uma das razões que complica a tarefa, como explica o investigador Tiago Moreira de Sá, do Instituto Português de Relações Internacionais.

"É complicado e, para além de complicado, não tem precedente. Mesmo durante a Guerra Civil houve eleições e na altura dizia-se que era importante haver. Há um conjunto muito variado de atores que têm um papel ativo na realização e preparação das eleições, incluindo os 50 Estados", acrescentou o investigador português.

As datas de eleições federais - na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro - é salvaguardada pela lei federal e exige uma lei do Congresso para que possa ser alterada.

A Constituição norte-americana, porém, é omissa quanto ao eventual adiamento da tomada de posse de um Presidente, normalmente realizada a 20 de janeiro, neste caso, de 2021.

Segundo reporta a agência noticiosa Associated Press (AP), não existe qualquer evidência de fraude no voto universal por correspondência, mesmo nos Estados em que o sistema funciona dessa forma.

Cinco Estados confiam exclusivamente no voto por correspondência e têm garantido que não é necessária qualquer salvaguarda para assegurar que um ator estrangeiro possa prejudicar a votação.

Segundo indicam especialistas sobre segurança nas eleições, todas as formas de fraude são raras, incluindo a abstenção.

A AP refere que Trump tem vindo a intensificar a colocação de dúvidas sobre a realização da votação na data prevista, 03 de novembro, pondo igualmente em causa o recorrer ao voto por correspondência face ao novo coronavírus.

Trump já considerou que uma votação pelo correio constitui o "maior risco" para a sua reeleição.

A campanha de Trump e do Partido Republicano, que o apoia, tem tentado combater a prática nos vários discursos um pouco por todo o país.

Em junho, no Arizona, Trump disse a apoiantes isso mesmo: "está será, na minha opinião, a eleição mais corrupta da história" dos Estados Unidos.

Por outro lado, há várias semanas que Trump tem sido confrontado com sondagens muito desfavoráveis.

Em fins de abril, o seu rival, Joe Biden, candidato pelo Partido Democrata, previu que o Trump iria fazer tudo para adiar as eleições.

"Lembrem-se do que vos vou dizer: penso que [Trump] vai tentar adiar as eleições de uma ou de outra forma, vai tentar encontrar razões para que [a votação] não decorra" na data prevista, lançou, então, Biden.

Poucos dias mais tarde, e interrogado sobre as palavras de Biden, o Presidente cessante descartou essa possibilidade categoricamente.

"Jamais pensei em alterar a data. [...] Porque faria isso?", respondeu, evocando a "propaganda" do campo dos democratas.

O 'tweet' presidencial de hoje, evocando uma possibilidade de adiamento das eleições, foi enviado poucos minutos depois do anúncio de uma queda história do Produto interno Bruto (PIB) norte-americano no segundo semestre (-32,09%), fruto das consequências da covid-19.

Os Estados Unidos são, de longe, o país com mais mortos (150.716) e mais casos de infeção confirmados (mais de 4,4 milhões), à frente do Brasil (90.134 mortos, mais de 2,5 milhões de casos), Reino Unido (45.961 mortos, mais de 301 mil casos), México (45.361 mortos, mais de 408 mil casos), Itália (35.129 mortos e mais de 246 mil casos), França (30.209 mortos, mais de 331 mil casos) e Espanha (28.436 mortos, mais de 282 mil casos).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 667 mil mortos e infetou mais de 17 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de