Espanha disponível para ajudar NATO a restaurar confiança entre EUA e França

Pedro Sánchez deu o seu apoio ao secretário-geral da Aliança Atlântica para tomar as medidas que considere necessárias e descreve os países como "dois aliados históricos".

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, manifestou esta quarta-feira à NATO a disponibilidade total da Espanha para ajudar a restaurar a confiança entre os Estados Unidos e a França, dois parceiros da Aliança Atlântica.

A disponibilidade de Madrid foi apresentada por Sánchez ao secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, numa reunião mantida hoje em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A crise entre os dois países deve-se ao facto de os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália terem assinado o pacto AUKUS (iniciais em inglês dos três países anglo-saxónicos), que visa reforçar a cooperação trilateral em tecnologias avançadas de defesa, como a inteligência artificial, sistemas submarinos e vigilância a longa distância.

Uma primeira consequência foi o cancelamento, pela Austrália, de um contrato com a França para o fornecimento de submarinos convencionais e a intenção de comprar submarinos nucleares aos Estados Unidos, o que originou fortes protestos e críticas de Paris.

A França tinha um contrato para a entrega à Austrália de 12 submarinos com propulsão convencional no valor de 56 mil milhões de euros, que foi cancelado por Camberra, que comprou posteriormente os submergíveis aos Estados Unidos.

Paris expressou insatisfação com os três países signatários do pacto AUKUS depois de, na sexta-feira, o Presidente de França, Emmanuel Macron, ter decidido chamar os embaixadores em Washington e Camberra para consultas.

Uma medida sem precedentes que as autoridades francesas justificaram com o que consideraram uma "traição" dos três países aliados tradicionais e uma grave quebra de confiança.

Hoje, após a reunião em Nova Iorque, e já numa conferência de imprensa, Sánchez explicou que deu o seu apoio ao secretário-geral da Aliança Atlântica para que tome as medidas necessárias para restaurar a confiança entre os Estados Unidos e a França, que descreveu como "dois aliados históricos".

O chefe do executivo de Madrid indicou que, na cimeira realizada em Atenas pelos líderes dos países euromediterrânicos, na semana passada, já tinha transmitido ao Presidente francês, Emmanuel Macron, solidariedade pela perda do contrato de venda dos submarinos, ideia que reiterou hoje, ao discursar nos trabalhos da 76.ª Assembleia Geral da ONU.

No encontro com Stoltenberg, o primeiro-ministro espanhol referiu ter também analisado a organização da cimeira da NATO, marcada para 2022 em Madrid, cujos preparativos levarão o secretário-geral da Aliança Atlântica a Espanha, já em outubro.

A cimeira em Espanha, explicou Sánchez, terá como principal tema a revisão do conceito estratégico da organização e a iniciativa denominada NATO 2030.

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