"Estamos no jogo do gato e do rato." Embaixador e antigo MNE espera reunião difícil no Irão

O diretor da Agência Internacional para a Energia Atómica vai reunir-se com as autoridades iranianas para tentar salvar o acordo de 2015, entre o Irão e o Ocidente. Teerão diz que espera uma reunião construtiva, mas na TSF o embaixador e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros reconhece que os obstáculos são inúmeros.

A uma semana do recomeço das negociações para tentar salvar o acordo de 2015, entre o Irão e o Ocidente, o diretor da Agência Internacional para a Energia Atómica está, esta terça-feira, em Teerão. Rafael Grossi tem encontro marcado com as autoridades iranianas, com o objetivo de abrir caminho para essas conversas, em Viena, na próxima segunda-feira.

Teerão já veio dizer que espera que a visita desta terça-feira seja construtiva. António Martins da Cruz, embaixador e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, espera uma reunião muito difícil, até porque os obstáculos são inúmeros.

"O próprio Irão reconheceu, recentemente, que está a fabricar urânio enriquecido a 20%, que está proibido no acordo. Este é um dos temas que seguramente vai ser tratado. Depois, o Irão está a produzir, segundo relatórios da própria agência internacional, água pesada, que dizem que é essencial para fabricar armas nucleares, o que não é permitido pelo acordo. Por outro lado, o Irão não permitiu a inspeção da agência de energia atómica a uma das centrais nucleares", explica, em declarações à TSF.

"Tudo isto faz com que estejamos, mais uma vez, no jogo do gato e do rato, que é o que tem sido desde 2015 a inspeção e o seguimento deste acordo", acrescenta.

Martins da Cruz confessa também ter expectativas muito baixas para as negociações da próxima semana, em Viena, referindo que "simplesmente a agência internacional de energia atómica e os outros países têm que manter a pressão sobre o Irão". "E este acordo de 2015 é uma das fórmulas de pressão sobre Teerão."

Para o embaixador, "a reunião não vai ser conclusiva". "Seguramente, vai ser emitido, como é costume, um comunicado dizendo que houve progressos e o Irão, que tem todo o interesse em manter a agência num estado de cooperação e não de agressividade, vai fazer certamente uma ou outra pequena cedência que não ponha em causa a produção de urânio que eles necessitam para fabricar uma arma nuclear", indica.

"Vamos continuar neste jogo do gato e do rato ainda por mais meses ou anos até que se saiba que o Irão dispõe da arma nuclear. Aí mudam completamente as regras do jogo", garante.

O acordo concluído em 2015 entre o Irão e os Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha levou à suspensão de algumas sanções internacionais que sufocam a economia de Teerão, em troca de uma redução drástica do seu programa nuclear, que foi colocado sob o controlo restrito da ONU. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em 2018, quando Donald Trump ainda era Presidente, e impuseram novamente as sanções. Como consequência, Teerão foi abandonando os seus compromissos, de forma gradual.

O atual Presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou que está disposto a voltar a este acordo, desde que o Irão retome, simultaneamente, as restrições acordadas.

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