EUA apontam preocupações da Rússia face à NATO como pretexto para invasão da Ucrânia

Putin declarou que a entrada da Ucrânia na NATO pode levar a um conflito armado entre Moscovo e a Aliança Atlântica pelo controlo da península da Crimeia.

Os Estados Unidos consideram que as preocupações da Rússia sobre a possível adesão dos ucranianos à NATO são um pretexto para uma invasão, num momento em que Joe Biden deve nomear uma experiente diplomata como embaixadora na Ucrânia.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu que a entrada da Ucrânia na NATO pode levar a um conflito armado entre Moscovo e a Aliança Atlântica pelo controlo da península da Crimeia.

Para o porta-voz do Pentágono, John Kirby, as palavras de Putin fazem parte da estratégia de Moscovo para divulgar informações "intencionalmente projetadas para enganar ou tentar criar desculpas ou pretextos para justificar um ato injustificável".

O porta-voz do Pentágono referiu ainda que existiram esforços internacionais no passado para ajudar Kiev a realizar as reformas necessárias, especialmente no campo da Defesa.

"Os Estados Unidos participaram desse processo e esse trabalho continua", lembrou.

Kirby voltou a salientar que cabe à Ucrânia decidir com quem forma parcerias.

"Qualquer adesão à NATO tem que ser uma decisão entre o Estado soberano e a Aliança. Não é algo sobre o qual Putin tenha veto. Não funciona assim", atirou.

Os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais acusam Moscovo de ter concentrado mais de cem mil soldados junto à fronteira com a Ucrânia na perspetiva de invasão do país vizinho.

O Kremlin tem sistematicamente negado essa intenção e coloca a questão em inquietações sobre a sua segurança, exigindo garantias como o não alargamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), em particular à Ucrânia.

O Presidente dos Estados Unidos Joe Biden deve nomear a experiente diplomata Bridget Brink como embaixadora na Ucrânia, revelou à agência Associated Press (AP) uma autoridade norte-americana ligada ao processo.

Brink é atualmente embaixadora na Eslováquia e deve assumir o posto diplomático, vazio há muito tempo, numa altura em que há um "alerta máximo" para uma possível invasão da Rússia à Ucrânia.

O Departamento de Estado ordenou na semana passada a retirada das famílias dos funcionários norte-americanos na embaixada em Kiev e adiantou que funcionários não essenciais podiam deixar a embaixada.

Bridget Brink foi apresentada recentemente ao Governo do Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy como a escolha de Biden para o cargo e o processo ainda está em análise por Kiev, acrescentou o funcionário que falou sob a condição de anonimato.

Ainda não é certo quando é que o chefe de Estado norte-americano vai divulgar a decisão.

A atual embaixadora norte-americana na Eslováquia foi também vice-secretária de Estado adjunta para assuntos europeus e euro-asiáticos e vice-chefe da missão nas embaixadas dos EUA em Tashkent, no Uzbequistão, e em Tbilisi, na Geórgia.

Marie Yovanovitch, a última embaixadora na Ucrânia aprovada pelo Senado norte-americano, foi demitida no final da primavera de 2019 e, meses depois, testemunhou no primeiro processo de impeachment do ex-Presidente Donald Trump.

Em causa estava a acusação de que o advogado e conselheiro do republicano Rudy Giuliani procurou minar a ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia e se reuniu várias vezes com um legislador ucraniano que divulgou as gravações editadas de Biden na tentativa de denunciá-lo antes da eleição presidencial.

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