Gás tóxico do vulcão de La Palma chega sexta-feira à costa mediterrânica

Prevê-se que o dióxido de enxofre cubra todo o território de Marrocos, Tunísia e ainda zonas de França e Itália, especialmente na Sicília, Sardenha, Argélia e Líbia.

O Sistema europeu de satélites meteorológicos prevê, para sexta-feira, a chegada à Europa de dióxido de enxofre, libertado pelo vulcão das canárias, desde o último fim de semana. O território espanhol e toda a bacia do mediterrâneo vão ser afetados.

Prevê-se que o dióxido de enxofre cubra todo o território de Marrocos, Tunísia e ainda zonas de França e Itália, especialmente na Sicília, Sardenha, Argélia e Líbia. Depois, a nuvem poderá atingir a costa oriental espanhola, sul de França, Córsega e toda a zona do norte de África, não apenas na costa mas também no interior.

Na imagem divulgada pela vigilância de satélites da rede Copernicus, a presença do gás na costa ocidental de Portugal, Açores e Madeira poderá acontecer já entre quinta e sexta-feira, com fraca intensidade e, segundo o IPMA, a grande altitude, o que fará com que provavelmente nem seja sentido.

Victor Prior, delegado do Instituto Português do Mar e da Atmosfera na Madeira, disse que o risco de o dióxido de enxofre ter efeitos em Portugal é muito reduzido. Primeiro porque as altitudes a que circula são muito elevadas. Depois porque as concentrações são reduzidas.

"Não será percetível. Poderá ser se, daqui por uns dias, formos ver os registos das estações de ambiente mas, à partida, não será significativo", explicou à TSF Victor Prior.

Também por isso, o risco de se transformar em chuva ácida é atualmente mínimo.

"As concentrações em níveis muito altos, acima das camadas de nuvens que dão origem a chuva, poderão nem chegar ao solo", considera o responsável pela delegação do IPMA na Madeira.

O especialista afirma que, nesta altura, está prevista uma mudança do sentido do vento na Madeira durante o fim de semana, mas como nas Canárias os ventos continuam a empurrar as projeções do vulcão para norte e para leste não deverá haver alteração.

"Para sábado e domingo está previsto algum vento na Madeira, bastante localizado, de quadrante sul, sudeste. Isto no sábado à tarde e no domingo de manhã, mas os ventos nas Canárias continuam a ser fracos, de nordeste e leste. Portanto, em termos de efeitos diretos, não vão existir. O vento não tem a direção da Madeira. Depois logo a seguir, no domingo, a partir da tarde o vento volta a intensificar, o gás entra na circulação geral e vai para onde for o vento", acrescentou Victor Prior.

O dióxido de enxofre é um gás incolor, denso, não inflamável, bastante solúvel na água e considerado tóxico e prejudicial, tanto para a saúde humana como para o meio ambiente, dependendo dos níveis de concentração.

"Além do fluxo de lava, o vulcão está a emitir uma grande quantidade de dióxido de enxofre na nossa atmosfera", lê-se na mensagem do Copérnico no Twitter.

A União Europeia (UE) ativou segunda-feira o sistema de satélite Copernicus para acompanhar a erupção vulcânica em La Palma e a Comissão Europeia (CE) já está em contacto com as autoridades espanholas para oferecer apoio adicional.

Os principais dados usados para analisar a evolução no vulcão de La Palma são os fornecidos pelos satélites 'Sentinel-1', 'Sentinel-2' e 'Sentinel-5P', especialmente concebidos para a observação da Terra e para melhorar a prevenção, o monitoramento e a proteção da população e dos recursos em casos de desastres naturais e de emergências.

As informações prestadas pelos satélites são fundamentais para a implementação das ações dos serviços de proteção civil espanhóis.

O programa espacial Copernicus é uma iniciativa conjunta da UE e da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa), estando, neste caso, a ser utilizados os serviços de vigilância do território e da atmosfera.

Os serviços de território dão, periodicamente, informações sobre cartografia, em que os dados obtidos são monitorados para conhecer a deformação da superfície terrestre ou o estado das estradas.

Já os serviços de atmosfera fornecem informações sobre as emissões produzidas pela erupção, como as de dióxido de enxofre.

Entretanto, o vice-reitor do Instituto Geomineiro da Espanha (IGME), Luis Somoza, citado pela agência noticiosa EFE, sublinhou hoje que a entrada da lava no mar vai provocar uma nuvem vertical "densa e espetacular" de vapor de água, garantindo que, apesar de não ser tóxica, obrigará a aumentar o perímetro de segurança, evacuar as zonas mais afetadas e proibir a navegação.

Somoza considerou a entrada da lava no oceano Atlântico "um fenómeno espetacular" e adiantou que a dimensão da nuvem de vapor vertical dependerá de vários fatores.

De qualquer forma, Somoza assegurou que a nuvem de vapor de água é inofensiva para a saúde, e alertou que as águas da costa oeste de La Palma irão ficar mais turvas uma vez que as cinzas da lava, ao entrarem em contacto com a água do mar, gerarem partículas vítreas que causam "um segmento de pluma" que flutua no mar e reduz a transparência.

Outra consequência da chegada da lava ao mar, acrescentou o especialista, é o aumento da temperatura da água na área onde corre a lava, um fenómeno que, conforme relatado, afetará o ecossistema marinho da região e, sobretudo, prejudicará a pesca.

Somoza acrescentou, no entanto, que a atividade pesqueira levará "cerca de seis meses" a recuperar, à semelhança do que aconteceu na ilha de El Hierro, a ilha mais meridional das Canárias, quando o vulcão Teneguía entrou em erupção no meio do mar em outubro de 2011 e a pesca foi interrompida.

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