Indonésia anuncia negociações com partes envolvidas na crise política em Myanmar

O ministro indonésio das Relações Exteriores, Retno Marsudi, poderá em breve visitar o país do sudeste asiático para ajudar a encontrar uma solução.

Milhares de pessoas saíram esta quarta-feira às ruas das principais cidades de Myanmar para protestar contra o golpe de Estado, numa altura em que a Indonésia anunciou estar em negociações com as partes envolvidas na crise política.

A Indonésia anunciou esta quarta-feira que está em negociações com as várias partes envolvidas na crise política de Myanmar (antiga Birmânia), adiantando que o seu ministro das Relações Exteriores, Retno Marsudi, poderá em breve visitar o país do sudeste asiático para ajudar a encontrar uma solução.

Jacarta divulgou a declaração depois que um documento do Governo de Myanmar ter indicado que o ministro das Relações Exteriores da Indonésia, que está atualmente na Tailândia, visitaria o país na quinta-feira. A data desta reunião ainda não foi anunciada por Jacarta.

"Tendo em vista os desenvolvimentos atuais e as observações de vários países da ASEAN, parece que não é o momento ideal para uma visita", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores aos jornalistas em Jacarta.

"Mas a Indonésia está determinada a manter as comunicações abertas com todas as partes na Birmânia", disse.

Entretanto, nesta quarta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades da Birmânia em protesto contra a violência e o golpe militar.

Em Rangum, a cidade mais populosa do país, grupos étnicos minoritários exigem o fim do regime militar, a libertação de presos políticos, o fim da atual constituição aprovada em 2008 e reivindicam o sistema democrático.

Alguns desses grupos, especialmente os Rohingya, já sofreram severa discriminação durante o sistema democrático em vigor nos últimos 10 anos.

O golpe militar, no dia 1 de fevereiro, atingiu a frágil democracia de Myanmar, depois da vitória do partido de Aung Sang Suu Kyi nas eleições de novembro de 2020.

Os militares tomaram o poder alegando irregularidades durante o processo eleitoral do ano passado, apesar de as autoridades eleitorais terem negado a existência de fraudes.

Desde então, milhares de pessoas têm-se manifestado contra o golpe militar, sobretudo na capital económica, Rangum, e em Mandalay, que já causaram dois mortos.

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