Investigadores brasileiros acusam ex-advogado da família Bolsonaro de corrupção

Advogado defendeu a família do Presidente do Brasil até junho passado, mas acabou afastado após um ex-assessor do filho mais velho do chefe de Estado brasileiro ter sido preso.

Procuradores brasileiros acusaram esta sexta-feira o advogado Frederick Wassef, ex-defensor da família Bolsonaro e o ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, de peculato e branqueamento de capitais.

Wassef defendeu a família do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, até junho passado, mas acabou afastado após um ex-assessor do filho mais velho do chefe de Estado brasileiro, Flavio Bolsonaro, ter sido preso num imóvel que o causídico possuía, na cidade de Atibaia, interior do estado de São Paulo.

Esta nova denúncia também envolve o empresário Marcelo Cazzo e as advogadas Luiza Nagib Eluf e Marcia Carina Castelo Branco Zampiron e, segundo explicou o Ministério Público Federal brasileiro, é mais um desdobramento da Operação Esquema S.

Neste caso, os suspeitos são acusados de desviar 4,6 milhões de reais (710 mil euros) das secções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Federação do Comércio (Fecomércio) do Rio de Janeiro.

Na denúncia, procuradores que investigam o caso, que também fazem parte da operação Lava Jato no Rio de Janeiro, acusam os suspeitos de cometerem os desvios de dinheiro entre dezembro de 2016 a maio de 2017 a pretexto de prestação de serviços de advocacia à Fecomércio.

Os investigadores alegam que o contrato seria falso, pois ou os serviços arrolados não foram prestados ou foram prestados no interesse exclusivo de Orlando Diniz para, por exemplo, a perseguição de adversários pessoais.

"O MPF verificou que, a pretexto de investigar vazamentos de contratos sigilosos, as contratações reais buscavam dificultar que a imprensa e órgãos de controlo tomassem conhecimento das contratações milionárias de escritórios de advocacia", lê-se num comunicado divulgado pelos procuradores brasileiros.

Os valores destes contratos, segundo os investigadores, podem somar 355 milhões de reais (55 milhões de euros), sendo que uma parte já avaliada em 151 milhões de reais (23,4 milhões de euros) é objeto de uma ação penal na 7.ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro.

"Os cofres daquelas entidades paraestatais estavam, como o MPF apurou, pagando serviços não jurídicos para que prejuízos resultantes de crimes contra elas não fossem conhecidos", diz o órgão de justiça brasileiro.

Entre os diversos escritórios de advocacia investigados, estão o de Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Wassef, que já foi representante de Bolsonaro e de um de seus filhos, o senador Flavio Bolsonaro.

Os recursos alegadamente desviados eram, quase na íntegra, provenientes das entidades do Serviço Social do Comércio (Sesc)do Rio de Janeiro e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do mesmo estado.

Os recursos dos Sescs e Senacs têm origem pública, pois a Receita Federal transfere contribuições de pagamento de empresas comerciais para investirem no bem-estar dos comerciantes.

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