Irão qualifica de "ultrajante" os EUA negarem acordo para troca de presos

Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acrescenta que "a troca humanitária foi acordada com os Estados Unidos e o Reino Unido, em Viena" para "a libertação de 10 prisioneiros dos dois lados".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano qualificou este domingo como "ultrajante" que os Estados Unidos neguem que tenha sido alcançado um "acordo humanitário" em Viena para a troca de prisioneiros.

"[É] ultrajante os EUA negarem esta simples realidade de que existe um acordo sobre a questão dos detidos", afirma o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica, Said Jatibzade, numa mensagem na sua conta na rede social "Twitter".

Jatibzade acrescenta que "a troca humanitária foi acordada com os Estados Unidos e o Reino Unido, em Viena" para "a libertação de 10 prisioneiros dos dois lados", independentemente da questão do acordo nuclear.

"O Irão está pronto para implementá-lo hoje", enfatizou o porta-voz.

Na noite passada, o principal negociador nuclear do Irão, Abas Araqchí, escreveu também na mesma rede social, que os Estados Unidos e o Reino Unido deveriam parar de vincular o acordo nuclear à questão da troca de prisioneiros.

"Estamos num período de transição e uma transferência democrática de poder está a acontecer, portanto, é claro que as negociações de Viena devem esperar pela nova administração, é o que toda democracia exige", acrescentou o diplomata iraniano.

"Manter a troca dependente de objetivos políticos não significa nada disso", enfatizou Araqchí, acrescentando que "dez presos dos dois lados podem ser libertados na segunda-feira se os Estados Unidos e o Reino Unido honrarem sua parte no acordo".

O porta-voz do Departamento de Estado, em Washington, Ned Price, em resposta a estas declarações indicou que "esses comentários são uma tentativa escandalosa para desviar a culpa pelo atual impasse", segundo noticiou a comunicação social.

"Estamos prontos para voltar a Viena para concluir o trabalho de retorno mútuo ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) assim que o Irão tiver tomado as decisões necessárias", disse Price, referindo-se aos esforços diplomáticos para levar os dois países a regressarem ao acordo nuclear.

O acordo nuclear, JCPOA, foi assinado em 2015 pelo Irão, Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia e Estados Unidos, e limita o programa de desenvolvimento nuclear iraniano, em troca do levantamento das sanções económicas, para impedir que a República Islâmica venha a produzir bombas atómica.

Os Estados Unidos retiraram-se do acordo em 2018 e impuseram sanções duras contra o Irão, que em resposta um ano depois começou gradualmente a deixar de cumprir suas obrigações em termos nucleares.

As negociações de Viena, iniciadas em abril passado, com o objetivo de que os Estados Unidos voltassem ao pacto e o Irão cumprisse integralmente o acordo, foram suspensas pela transição do mandato do atual Presidente Hasan Rohaní para o Presidente eleito Ebrahim Raisí no Irão, que inicia funções em 5 de agosto.

Washington e Teerão trocaram alguns prisioneiros nos últimos anos. A última troca ocorreu em junho do ano passado, quando as autoridades iranianas libertaram o veterano da Marinha dos Estados Unidos Michael White, que estava detido há dois anos por insultar o líder supremo, em troca do médico iraniano-americano Mayid Taheri, preso nos Estados Unidos, por violar as sanções ao Irão.

Várias pessoas com dupla nacionalidade, dos Estados Unidos e do Reino Unido, permanecem presas no Irão, acusadas de espionagem ou de agir contra a segurança nacional, enquanto nos Estados Unidos e em outros países, dezenas de iranianos são presos por violarem as sanções.

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