Israel decide deixar de devolver corpos de palestinianos mortos às suas famílias

Organizações de direitos humanos falam em atitude "desumana" por parte do Governo de Telavive.

Israel decidiu esta quarta-feira deixar de restituir às suas famílias os corpos de palestinianos mortos em confrontos com as forças israelitas, uma decisão destinada a pressionar as autoridades palestinianas mas considerada "desumana" por defensores dos direitos humanos.

Após uma reunião do gabinete de segurança, o ministro da Defesa Benny Gantz, líder da formação centrista Azul e Branco, congratulou-se com a aprovação do seu projeto de "deixar de devolver [às famílias] os corpos dos terroristas".

Até ao momento, o Governo autorizava apenas que Israel se apropriasse dos corpos dos combatentes do Hamas, o movimento islamita armado no poder na Faixa de Gaza, e mortos em confrontos que tivessem provocado vítimas israelitas.

A nova diretiva estende esta medida aos corpos de todos os palestinianos, independentemente da sua filiação, mortos em confrontos com as forças israelitas e mesmo que não tenham ocorrido vítimas israelitas, indicaram as autoridades.

Esta nova medida "inclui-se no nosso compromisso em trazer para casa os nossos 'boys'", declarou Gantz numa referência aos dois reféns israelitas e aos dois corpos de israelitas na posse do Hamas, considerados como moedas de troca para obter a libertação de detidos palestinianos ou o repatriamento dos restos de combatentes.

"Aconselho os nossos inimigos a compreenderem bem e interiorizarem esta mensagem", acrescentou Gantz, cujas declarações foram criticadas pela organização não governamental (ONG) israelita Adalah.

Esta organização defende designadamente a família de Ahmed Erekat, sobrinho do secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP) Saëb Erekat, e que segundo a versão do exército israelita foi morto há dois meses numa tentativa de ataque com viatura, e sem que o corpo tenha sido restituído.

"Esta política de utilizar corpos humanos como moeda de troca viola os valores fundamentais e o direito internacional que proíbe os tratamentos cruéis e desumanos", reagiu a Adalah em comunicado.

No decurso de recentes confrontos na povoação de Deir Abu, na Cisjordânia ocupada, três adolescentes, que segundo o exército judaico estavam munidos de cocktails molotov, foram feridos pelos militares.

Um destes jovens palestinianos, Mohammed Hamdan, 16 anos, sucumbiu aos ferimentos por bala, e segundo fontes locais o seu corpo não foi restituído à sua família.

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