Jornalista que protestou na TV russa torna-se correspondente de jornal alemão

Marina Ovsyannikova foi detida e libertada após o pagamento de uma multa.

A jornalista russa Marina Ovsyannikova, que se tornou um rosto antiguerra ao interromper um programa de notícias pró-Kremlin em março, vai ser correspondente na Ucrânia e na Rússia para o diário alemão Welt, anunciou esta segunda-feira o jornal.

"Marina Ovsyannikova teve a coragem, num momento decisivo, de confrontar os telespetadores na Rússia com uma imagem não adulterada da realidade. Defendeu assim as virtudes jornalísticas mais importantes, apesar da ameaça da repressão estatal", afirmou o diretor do grupo Welt, Ulf Poschardt, em comunicado.

A jornalista vai escrever para o jornal e contribuir regularmente para o canal de notícias televisivas.

"O Welt representa o que é veementemente defendido na Ucrânia pelo corajoso povo ucraniano: a liberdade. Como jornalista, considero ser meu dever defender esta liberdade", indicou Ovsyannikova, de 43 anos, na mesma declaração.

Em meados de março, a jornalista russa apareceu em direto no programa noticioso mais visto da Rússia, no canal Pervy Kanal, com um cartaz a criticar a operação militar de Moscovo na Ucrânia e a denunciar a "propaganda" dos meios de comunicação social controlados pelo governo.

No seguimento, esteve brevemente sob detenção e posteriormente foi multada e libertada.

Ovsyannikova, que desde então deixou o canal russo, enfrenta agora um processo penal com pesadas penas de prisão ao abrigo de uma recente lei que pune "informações falsas" sobre o Exército russo.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1793 civis, incluindo 176 crianças, e feriu 2439, entre os quais 336 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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