Kremlin avisa que sanções põem em causa a fiabilidade do dólar e do euro

Cada vez mais países têm "dúvidas sobre a fiabilidade do dólar e do euro", diz o porta-voz do Kremlin.

O porta-voz do Kremlin avisou este domingo que política de sanções do ocidente à Rússia está a acelerar o processo de erosão da confiança nas reservas cambiais em todo o mundo e a pôr em causa a fiabilidade do dólar e do euro.

O representante da presidência russa recordou, numa entrevista televisiva, que o ocidente congelou parte das reservas em moeda estrangeira da Rússia, para punir Moscovo pela sua campanha militar na Ucrânia, o que "acelera o processo de erosão das reservas internacionais em moeda estrangeira".

"E isto implica a erosão da confiança no dólar e no euro, que têm sido sempre uma espécie de espinha dorsal de todas as contas internacionais", disse Dmitry Peskov.

Segundo Peskov, "cada vez mais países, tendo dúvidas sobre a fiabilidade do dólar e do euro, estão inclinados a considerar variantes de pagamento baseadas em moedas nacionais".

"Este é um processo imparável que só vai crescer", sustentou.

O representante do Kremlin salientou que o Presidente russo, Vladimir Putin, tomou a decisão de decretar a venda de gás em rublos aos países que impuseram sanções à Rússia, não para punir ninguém, mas para impedir que os fundos provenientes da venda de gás russo fossem novamente congelados.

"A Rússia não está a ameaçar ninguém. A Rússia nunca ameaçou realmente ninguém. Mas em condições de um ambiente hostil e em condições de ações hostis dirigidas contra nós, somos obrigados a minimizar estes riscos", disse.

O porta-voz presidencial russo disse que "esta dança de sanções tem um custo para os próprios europeus".

"É no mínimo ilógico, insensato, partir de certos interesses políticos efémeros e pisar a garganta da sua própria economia", disse, salientando de seguida: de qualquer forma, a Rússia "confia no senso comum da nossa contraparte, dos nossos compradores de gás".

Assinalou, contudo, que existe atualmente "uma espécie de frenesim de sanções. A maior carga de sanções da história recai agora sobre a Rússia".

Peskov disse que há vários anos ninguém poderia imaginar que seria possível impor sanções a um chefe de Estado e que aquelas que foram impostas ao Presidente russo, Vladimir Putin, "estão a fazer fronteira com o irracional".

"Depois de terem imposto sanções contra o nosso Presidente, já é claro que são capazes de fazer qualquer coisa idiota", referiu.

Apesar de tudo, expressou confiança em que "mais cedo ou mais tarde" a Rússia estabeleça um diálogo" com a União Europeia, "independentemente do que alguém do outro lado do oceano queira ou não queira".

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE O CONFLITO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

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