Lava do Cumbre Vieja perde velocidade mas mantém poder destrutivo

Presidente do governo regional admite que é "impossível" travar o percurso da lava e pede aos moradores que não se coloquem em perigo.

A lava do vulcão Cumbre Vieja, localizado na ilha espanhola de La Palma, no arquipélago das Canárias, perdeu velocidade nesta quarta-feira, mas avançou sem oposição, multiplicando os estragos já causados, diante da impotência dos moradores da região.

A lava "diminuiu o ritmo, mas segue o seu caminho implacável", alertou o presidente do governo regional das Ilhas Canárias, Ángel Víctor Torres, em conferência de imprensa, aconselhando os moradores a não tentarem nada contra o derrame e a evitarem manobras que os coloquem em perigo.

"Diante do avanço da lava, nada pode ser feito", reconheceu. "Nem uma barricada, nem um fosso, nem um parapeito, de forma alguma, vão deter o avanço da lava. Quem me dera que fosse assim, mas não é, é impossível", insistiu.

A erupção, que começou no domingo, já arrasou 154 hectares e destruiu 320 edifícios, revelam informações do sistema de geoespacial europeu Copernicus, um aumento assinalável em comparação com os últimos dados. A chegada da lava ao mar já não é certa, devido à perda de velocidade.

"O fluxo avança muito lentamente. Avançou 12 metros em 12 horas", explicou o líder regional. Segundo os dados mais recentes do governo das Canárias, a lava desloca-se a quatro metros por hora, engolindo a vegetação e as construções no seu caminho.

As cinzas vulcânicas em suspensão bloqueiam a luz solar e reduzem a visibilidade na região, o que levou os serviços de emergência a pedir à população da ilha, de cerca de 85.000 habitantes, que limite as suas deslocações.

A erupção do Cumbre Vieja já levou à evacuação de 6100 pessoas, incluindo 400 turistas, sendo que muitos moradores foram forçados a deixar as suas casas em poucos minutos e não há registo de vítimas.

O dióxido de enxofre emitido pelo vulcão deve atingir, esta sexta-feira, uma grande parte do território espanhol e da costa mediterrânica, chegando a países como Marrocos, Tunísia, França, Itália, Argélia e Líbia.

Ouvido pela TSF, Filipe Duarte Santos, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explica que este gás não deve causar problemas ambientais graves, como acontece quando é emitido por algumas centrais térmicas a carvão.

"É uma das principais causas de poluição atmosférica na China e provoca chuvas ácidas", exemplifica o professor. No caso do Cumbre Vieja, e dada a dimensão da sua erupção, "não é propriamente um perigo grave para as regiões da Península Ibérica e da Madeira que poderão ser atingidas".

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