Lei da segurança nacional aplicada "vigorosamente" em Hong Kong. TikTok suspenso

O Governo de Hong Kong deixou um aviso aos radicais para que não violem a lei. O TikTok já anunciou a suspensão, enquanto Facebook, Google e Twitter não vão responder aos pedidos de informações sobre os utilizadores.

A chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, revelou que o seu Governo vai implementar "vigorosamente" a nova lei de segurança imposta por Pequim, deixando um aviso aos ativistas "radicais".

"O Governo de Hong Kong aplicará vigorosamente esta lei", disse Lam, durante uma conferência de imprensa.

"O Governo de Hong Kong vai implementar de forma vigorosa esta lei e aviso os radicais para não tentarem violar a lei ou pisar linhas vermelhas, porque as consequências de violação da lei são muito sérias", afirmou Lam em conferência de imprensa.

Carrie Lam defendeu novamente o diploma imposto por Pequim ao território semi-autónomo, afirmando que ajudará a restaurar a estabilidade e a confiança após meses de protestos, no ano passado.

A lei "não é tão sombria como parece para Hong Kong", disse Lam, defendendo que, "com o tempo (e os factos explicados aumentará a confiança" no futuro do território.

Promulgada em 30 de junho pelo Presidente chinês Xi Jinping, a nova lei permite punir quatro tipos de crimes contra a segurança do Estado: atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras que ponham em risco a segurança nacional em Hong Kong.

Os crimes contra a segurança nacional passam a ser passíveis de prisão perpétua no território.

TikTok anuncia suspensão do serviço em Hong Kong

Os residentes de Hong Kong vão deixar de poder usar a rede social de partilha de vídeos TikTok, no âmbito da lei de segurança nacional imposta pelo regime chinês, anunciou a empresa.

"À luz dos eventos recentes, decidimos suspender a aplicação TikTok em Hong Kong", disse um porta-voz do grupo chinês de tecnologia ByteDance, citado pela agência noticiosa France-Presse.

A suspensão completa deverá ser feita dentro de alguns dias, segundo o grupo que detém o TikTok.

Facebook, Google e Twitter confirmaram na segunda-feira que não vão responder aos pedidos de informações sobre os seus utilizadores por parte do Governo e autoridades de Hong Kong, por respeito à liberdade de expressão.

As quatro plataformas globais disseram que as suas equipas estão a analisar a controversa nova lei.

Comunidade internacional preocupada

A comunidade internacional, com os Estados Unidos e a União Europeia em destaque, além de diversas organizações não-governamentais (ONG), expressaram mais de uma vez o receio de que a lei sirva para silenciar vozes críticas em Hong Kong, após um ano de protestos que levaram a nove mil detenções na ex-colónia britânica.

Hong Kong regressou à China em 1997 sob um acordo que garantia ao território 50 anos de autonomia e liberdades desconhecidas no resto do país, ao abrigo do princípio "Um país, dois sistemas".

Tal como acontece com Macau desde 1999, para Hong Kong foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

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