Ministro da Agricultura francês questiona qualidade de carne brasileira

Segundo o ministro Julien Denormandie, "quando um pai vê que a carne vem do Brasil ou da Ucrânia, talvez se lhe desperte a consciência".

O ministro da Agricultura francês questionou na sexta-feira a qualidade dos peitos de frango importados do Brasil e disse que "eles não têm o mesmo impacto na saúde das crianças" que a carne procedente de França.

"Não há que enganar: dar um peito de frango procedente do Brasil ou da Ucrânia aos nossos filhos simplesmente não tem o mesmo impacto para a saúde deles que um peito de frango francês", disse Julien Denormandie, numa feira agrícola em Corbières-en-Provence, no sul de França.

"Vamos finalmente pôr em marcha a famosa regulamentação da origem da carne. A partir de 2022, será obrigatório em todos os refeitórios públicos ou privados indicar a origem da carne", acrescentou.

Segundo o ministro, "quando um pai vê que a carne vem do Brasil ou da Ucrânia, talvez se lhe desperte a consciência".

As declarações de Denormandie acontecem num momento em que França paralisou o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, do qual o Brasil faz parte - juntamente com a Argentina, Uruguai e Paraguai-, alegando que o bloco sul-americano não cumpre as normas europeias sanitárias e ambientais.

As declarações do ministro ocorreram numa feira onde o Presidente francês, Emmanuel Macron, também falou sobre a "soberania" agrícola de França.

"Não vamos importar produtos de fora supostamente com regras sanitárias menos rígidas que as nossas. Isso é um absurdo", declarou.

O chefe de Estado também falou na redução do uso de produtos fitossanitários, como o glifosato, e considerou que é uma questão que deve ser tratada "no âmbito europeu".

"Não adianta reduzirmos os produtos fitossanitários, se o esforço num país vizinho não é o mesmo e a estratégia não é a mesma", alertou. Macron deu a entender que isso cria concorrência desleal entre os países do bloco europeu.

O mandatário também assumiu que só substituirá os pesticidas quando houver um substituto menos nocivo. No caso dos inseticidas neonicotinoides, considerados um risco para a população de abelhas, reconheceu que mantêm os produtos por falta de alternativa.

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