Ministro dos Negócios Estrangeiros apela a que "todas as partes" evitem violência em Jerusalém

A tensão agravou-se nos últimos dias em Jerusalém, após o aumento de confrontos entre palestinianos e a polícia israelita.

O ministro dos Negócios Estrangeiros apelou, esta segunda-feira, a que "todas as partes" se abstenham de "patrocinar" atos de violência em Jerusalém, defendendo que a "violência não é solução para nada", após vários dias de tensões entre palestinianos e israelitas.

"A violência não é solução para nada e todas as partes devem abster-se de patrocinar quaisquer atos de violência", frisou Augusto Santos Silva, à entrada para o Conselho de Negócios Estrangeiros que decorre em Bruxelas.

Numa reunião onde os chefes das diplomacias europeias irão debater vários temas de assuntos correntes -- entre os quais a situação no Sahel, no Afeganistão e na Rússia --, o ministro dos Negócios Estrangeiros quis "salientar o que se está a passar em Jerusalém" e fazer um "apelo a todas as partes envolvidas para evitar a violência, condenar a violência".

Além dos incidentes em Jerusalém, Augusto Santos Silva referiu também que o Conselho de Negócios Estrangeiros tem "uma agenda muito cheia", destacando a reunião que os ministros irão ter com o enviado presidencial especial dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, que se ligará através de videoconferência.

"A Europa e os Estados Unidos têm posições muito próximas nos domínios multilaterais e devem juntar -- e têm juntado -- os esforços para dar toda a prioridade à ação climática na agenda multilateral. É uma questão de sobrevivência do planeta e, portanto, da própria humanidade", sublinhou Santos Silva.

Abordando ainda os Balcãs Ocidentais, que constitui o segundo ponto principal da agenda dos ministros, Santos Silva realçou que a região é "essencial para a estabilidade e a segurança da própria União Europeia (UE)".

Esta madrugada, centenas de palestinianos lançaram pedras e outros objetos contra os polícias israelitas que estavam na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islão, chamado Monte do Templo pelos judeus.

As forças de segurança israelitas responderam com gás lacrimogéneo, balas de borracha e granadas de atordoamento.

Israel também atacou na noite de domingo alvos do grupo islâmico Hamas em Gaza, após o lançamento de foguetes e balões incendiários a partir do enclave, anunciou o exército israelita.

A onda de violência coincidiu com o "Dia de Jerusalém", marcando, de acordo com o calendário hebraico, a conquista de Jerusalém Oriental pelo Estado hebraico.

Na sexta-feira, mais de 200 pessoas ficaram feridas em confrontos entre a polícia israelita e palestinianos, na Esplanada das Mesquitas.

Os confrontos entre a polícia israelita e palestinianos durante várias noites na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, são já considerados os maiores desde 2017, quando Israel decidiu colocar detetores de metais na entrada do local, para depois desistir da ideia.

Os palestinianos protestam há vários dias contra a possibilidade de várias famílias palestinianas virem a ser despejadas das suas casas em Jerusalém Oriental - numa área da cidade ocupada e anexada por Israel - em favor de colonos israelitas.

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