"Ninguém está a pensar em usar armas nucleares", garante porta-voz do Kremlin

Moscovo alega que só se houvesse uma "ameaça à existência" da Rússia é que consideraria usar armas nucleares para eliminar a ameaça.

O porta-voz do Kremlin garante que a Rússia não está a considerar o uso de armas nucleares no conflito na Ucrânia. Em entrevista à televisão norte-americana PBS, Dmitry Peskov afirmou, esta terça-feira, que tal ideia nem sequer está em questão.

"Ninguém está a pensar em usar ou sequer na ideia de usar armas nucleares", declarou.

"Não temos dúvidas de que os objetivos da nossa operação militar especial na Ucrânia vão ser atingidos. Mas qualquer que seja o desfecho da operação não será motivo para o uso de armas nucleares", garantiu. "Só quando houver ameaça à existência do nosso país é que poderemos e iremos usar armas nucleares para eliminar essa ameaça", ressalvou, apesar de tudo.

O porta-voz russo falou também sobre a aplicação de sanções, por parte da comunidade internacional, que classificou como "uma guerra contra a Rússia". Na visão de Peskov, o Ocidente está "a empurrar [o Kremlin] para um canto".

"Essas condições, infelizmente, não são amigáveis. São como se fossemos o inimigo. Entrámos numa fase de guerra total. Nós, na Rússia, estamos a ser empurrados para a guerra pelos países da Europa Ocidental, pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela Austrália. Eles estão a levar-nos para a guerra, na economia", indicou.

Dmitry Peskov sublinhou que é preciso que a comunidade internacional compreenda a Rússia, que tem medo do avanço da NATO para leste.

"Temos demasiado medo de que a NATO se aproxime das nossas fronteiras com as suas infraestruturas militares. Por favor, tratem disso. Não nos empurrem para o canto", apelou, afirmando que quando a Rússia manifestou preocupação com a possibilidade de a Ucrânia se juntar à Aliança, "arruinando o balanço na Europa", não houve reação e que quando a Rússia pediu que as suas preocupações fossem tidas em contas, continuou a "não haver reação".

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.151 civis, incluindo 103 crianças, e feriu 1.824, entre os quais 133 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,8 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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