Pequenas e médias empresas receiam aumento do salário mínimo na Alemanha

Matthias Bianchi, da Associação das Pequenas e Médias Empresas, sublinha que estas pequenas empresas estão a recuperar lentamente os negócios.

O aumento do salário mínimo nacional proposto pelos social-democratas alemães (SPD) pode ser "desastroso" para as pequenas e médias empresas, disse esta sexta-feira à Lusa Matthias Bianchi, chefe de relações públicas da associação que representa 25 mil companhias alemãs.

"De acordo com as sondagens esperam-se mudanças. Neste momento o SPD, os Verdes e o Die Linke (Esquerda) têm a possibilidade de formar um novo executivo e pretendem aplicar medidas sobretudo no mercado de trabalho, como o aumento do salário mínimo nacional e a tributação às pequenas e médias empresas com mais rendimentos, o que pode ser desastroso para este tipo de negócios", disse à Lusa Matthias Bianchi, da Associação das Pequenas e Médias Empresas (Deutscher Mittelstands-Bund -- DMB).

Para a instituição que representa mais de 25 mil pequenas e médias empresas que, no conjunto, desempenham atividades relevantes para a economia da Alemanha, o aumento do salário mínimo nacional "pode constituir um problema", sobretudo, para os negócios que já não podem aumentar os preços dos serviços prestados aos clientes.

Bianchi refere que empresários de barbearias, de salões de beleza, de cabeleireiros, ou de muitas empresas ligadas ao setor da restauração já foram muito afetados pela pandemia de covid-19 durante o ano passado.

Nos últimos meses, estas pequenas empresas estão a recuperar lentamente os negócios sendo que, frisa, o aumento do salário mínimo dos trabalhadores pode afetar novamente a atividade e os empresários.

"Na indústria pesada, o aumento do salário mínimo nacional não vai ter tantos efeitos para o patronato como o que se pode verificar junto das pequenas e médias empresas", diz.

Por outro lado, a DMB encara com cautela e espera os resultados económicos do último trimestre particularmente afetado pelos efeitos da pandemia de SARS CoV-2.

Existe, por isso, uma "grande preocupação" em relação aos números do crescimento económico estando a situação agravar-se pela falta de componentes que está a atingir muitas das pequenas e médias empresas alemãs, em vários setores.

"No setor da construção, por exemplo, existe falta de materiais necessários para que se possa voltar atingir os valores que tinham sido alcançados antes do início da pandemia", refere Matthias Bianchi.

A falta de componentes eletrónicos ("chips") está a afetar muitos setores, sobretudo empresas de eletrodomésticos ou de informática.

"Se um componente falha na cadeia global tudo fica interrompido tal como está a acontecer na indústria automóvel, mas o mesmo também se verifica junto das pequenas e médias empresas", alerta.

Em perspetiva, terminada a "era Merkel", a DMB refere que depois da crise financeira de 2008, a Alemanha atingiu um período de crescimento económico sem precedentes para as pequenas e médias empresas.

"A Alemanha enfrentou problemas económicos durante o Governo de (Gerard) Schroder e Merkel conseguiu resolver os problemas e estabilizar a situação sobretudo entre 2010 e 2019", afirma Matthias Bianchi, acrescentando que os últimos dois anos falharam as medidas sobre inovações ao nível da digitalização e da energia verde.

Sobre as relações com a Europa, o responsável, afirma que a Alemanha tem beneficiado do mercado europeu, sobretudo ao nível das pequenas e médias empresas e, por isso, para a economia alemã a União Europeia é um grande projeto apesar dos "riscos".

"Existe o receio de que a Alemanha tenha de pagar os problemas dos outros países. Estamos numa comunidade e todos têm de contribuir, mas a questão do 'deficit' é um problema", considera.

A pouco mais de 24 horas das eleições legislativas alemãs que podem dar início a um novo período político no país com a provável vitória dos social-democratas, abre-se também o tempo das negociações para a formação de um novo Governo que a DMB receia poder vir a demorar a constituir.

"Infelizmente vamos ter de esperar muito até que o novo Governo seja formado, porque as últimas sondagens mostram muitos cenários de coligação. Tendo em conta o que aconteceu em 2017, cujas negociações se prolongaram durante mais de 200 dias, provavelmente, vamos ter de esperar muito tempo para que estas negociações fiquem concluídas", disse Bianchi.

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