Primeira-dama do Brasil diz admirar sistema de Saúde do país após ser vacinada nos EUA

Mulher de Bolsonaro vacinou-se nos EUA.

A primeira-dama brasileira, Michelle Bolsonaro, manifestou na sexta-feira a sua "admiração e respeito" ao sistema de saúde do país, após ser duramente criticada por ter sido imunizada contra a Covid-19 nas Estados Unidos.

"A primeira-dama reitera a sua admiração e respeito ao sistema de saúde brasileiro, em especial, aos profissionais da área que se dedicam, incansavelmente, ao cuidado da saúde do povo", indicou a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência brasileira em comunicado.

Desde a manhã de sexta-feira que Michelle Bolsonaro tem sido alvo de uma onda de críticas após o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ter revelado que a sua mulher optou por receber o imunizante contra a Covid-19 nos Estados Unidos, uma atitude considerada como "desprezo" pela saúde pública do Brasil.

"Tomar a vacina é uma decisão pessoal. A minha mulher (Michelle Bolsonaro), por exemplo, decidiu tomá-la nos Estados Unidos. Eu não tomei", disse o líder da extrema-direita brasileira numa entrevista publicada na sexta-feira na revista Veja.

Embora Bolsonaro não tenha esclarecido as circunstâncias a envolver a imunização, a Secom clarificou agora que Michelle foi vacinada em Nova Iorque (EUA), onde se deslocou para acompanhar Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas, assim como "para cumprir uma agenda sobre doenças raras".

"Antes de retornar ao país (Brasil), submeteu-se ao teste de PCR, obrigatório para autorização de embarque e, durante a realização da testagem, a primeira-dama foi indagada pelo médico se ela gostaria de aproveitar a oportunidade para ser vacinada. Como já pensava em receber o imunizante, resolveu aceitar", explicou a Secom.

A secretaria não detalhou, porém, qual o imunizante aplicado à primeira-dama, nem se recebeu uma vacina de dose única ou de duas doses.

O facto de Michelle Bolsonaro ter sido vacinada nos Estados Unidos gerou uma onda de indignação no meio científico e político, que se manifestou principalmente numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava possíveis irregularidades cometidas pelo Governo na gestão da pandemia, que já matou 593 mil brasileiros e ainda não está controlada.

"Essa cena da primeira-dama se vacinar nos Estados Unidos é lamentável, desvaloriza as autoridades sanitárias (brasileiras), desvaloriza uma conquista do país que já tem mais de 30 anos, como o Programa Nacional de Imunizações", declarou o Senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI.

O senador Omar Aziz, presidente da comissão, comentou o caso com alguma ironia.

"Felicito a senhora Michelle, que, ao contrário do marido, se vacinou", mas "alguém deveria ter-lhe dito que a vacina aplicada nos Estados Unidos é a mesma aplicada no Brasil", disse.

Segundo Azis, Michelle Bolsonaro "bem poderia ter-se vacinado no Brasil e mostrar a todos, para dar um bom exemplo. Se fosse assim, teríamos visto um ato de verdadeiro patriotismo, não da boca para fora".

Já o epidemiologista Pedro Hallal, que coordena o Epicovid, estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil, disse ao portal de notícias G1 que a escolha da primeira-dama "mostra falta de confiança" e "desprezo pelo SUS [Sistema Único de Saúde] e pelos brasileiros".

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao totalizar 593.663 óbitos e 21,3 milhões de infeções pelo novo coronavírus.

A Covid-19 provocou pelo menos 4.725.638 mortes em todo o mundo, entre 230,52 milhões de infeções pelo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de