Putin anuncia que forças destacadas no Cazaquistão saem após o fim da missão

Vladimir Putin garante que o contingente russo enviado para o Cazaquistão deixará o país mal esteja terminada a missão que lhe foi atribuída.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que as forças Moscovo e "aliadas" destacadas no apoio ao Cazaquistão contra o "terrorismo internacional" vão sair do país após o final da missão.

"Assim que o contingente cumprir as funções [as forças] vão retirar-se do território do Cazaquistão", disse Putin.

As declarações do chefe de Estado russo foram expressadas durante uma videoconferência que reuniu chefes de Estado de vários países da Ásia Central (ex-soviéticos), aliados de Moscovo, entre os quais o Presidente do Cazaquistão.

Putin disse ainda que não vai tolerar "revoluções coloridas" no espaço da ex-União Soviética, uma expressão recorrente do chefe de Estado russo para se referir a revoltas alegadamente orquestradas pelo "Ocidente".

Anteriormente, na mesma reunião, o Presidente do Cazaquistão disse que os militares russos vão abandonar o país "em breve" e especificou que 2030 militares foram destacados como parte da missão comandada por Moscovo, após o pedido de ajuda.

De acordo com o presidente cazaque, forças "terroristas" organizadas, incluindo "islâmicos" e "criminosos", "bandidos" aproveitaram-se de um movimento de protesto contra o aumento dos preços do combustível para tentar derrubar o poder.

"Conseguimos retomar o controlo da situação", disse o Presidente do Cazaquistão Kassym-Jomart Tokaiev frisando que se tratou de uma "tentativa de golpe de Estado".

Entretanto, o Governo anunciou que perto de oito mil pessoas foram detidas após uma semana de tumultos no Cazaquistão.

"Desde 10 de janeiro, 7989 pessoas foram detidas", informou o Ministério do Interior em comunicado.

Pelo menos 164 pessoas morreram nos protestos no país, segundo dados não-governamentais, enquanto o regime aponta para cerca de "duas dezenas de mortos".

Os protestos transformaram-se em violência na semana passada tendo gerado uma aliança militar liderada pela Rússia que enviou tropas para o país.

As autoridades disseram ter recuperado o controlo dos edifícios administrativos ocupados pelos manifestantes considerados "terroristas" que contam com apoio no estrangeiro.

O ex-chefe da agência antiterrorismo do Cazaquistão Karim Masimov foi detido por suspeitas de tentar derrubar o Governo, poucos dias depois de ter sido demitido do cargo de chefe do Comité de Segurança Nacional por Tokayev.

Rico em hidrocarbonetos, o Cazaquistão foi abalado por uma onda de protestos sem precedentes desde a independência em 1989.

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