Repórter que denunciou início da pandemia na China está detida, em greve de fome e "fraqueza extrema"

As palavras não bastam. Os Repórteres Sem Fronteiras pedem sanções da comunidade internacional contra a China. Zhang Zhan é a jornalista que denunciou o que se passava em Wuhan no início da pandemia, e está detida desde maio. Tem cumprido períodos de greve de fome, e está agora em risco de vida.

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pedem sanções contra a China, para convencer Pequim a libertar a jornalista Zhang Zhan, que está detida desde maio de 2020. A repórter foi a primeira a divulgar vídeos sobre o início da pandemia de Covid-19 na província de Wuhan.

Nos últimos meses, Zhang Zhan tem estado em greve de fome, e o irmão alertou mesmo, na semana passada, que a jornalista pode morrer a qualquer momento.

Na terça-feira, os Repórteres Sem Fronteiras emitem um relatório de 82 páginas sobre a censura na China, da qual o caso de Zhang Zhan é exemplar. Com 38 anos, Zhang Zhan já não consegue andar sem ajuda. Em greve de fome, para clamar inocência, a jornalista está cada vez mais fraca, relata Cédric Alviani, director dos RSF no Leste da Ásia, em declarações à TSF.

"Zhang Zhan é uma pessoa muito alta: um metro e 77. E ela agora pesa pouco menos de 40 quilos. Consegue imaginar esta fraqueza extrema? Ela foi alimentada à força, por tubos nasais, mas isso não ajuda por muito tempo. Zhang Zan está desesperada, porque ela não tem outra escolha, outra alternativa para dizer que está inocente."

Em dezembro de 2019, Zhang Zhan divulgou vídeos, a partir de Wuhan, mostrando as dificuldades que a Saúde do país estava a enfrentar no ataque à Covid-19.

Detida em maio do ano passado, este ano, foi distinguida com o prémio Coragem dos RSF. Cédric Alviani elogia a repórter sem medo: "Como toda a gente, ela gosta de viver, e acho que, em nenhum momento, ela estaria disposta a morrer. Ela quer alertar o mundo para esta situação. Na China, oito jornalistas, por relatarem os factos, podem ser condenados a duras penas de prisão. Infelizmente, Zhang Zhan não é a única. Atualmente, há 127 jornalistas ou defensores da liberdade de imprensa detidos na China."

Só na China, há 127 repórteres detidos, o que representa um quarto do total mundial dos jornalistas sujeitos a esta medida abusiva. Cédric Alviani deixa, por isso, um apelo ao Presidente chinês. "Esperamos que o Presidente Xi Jinping mostre alguma humanidade e que liberte Zhang Zhan, sob custódia médica, se não houver outra forma. Embora ela esteja inocente e nunca devesse estar detida", exorta.

Os RSF e mais de 40 organizações realizaram uma petição para pedir a libertação de Zhang Zhan, mas Cédric Alviani pede mais. "É muito importante que a comunidade internacional se una contra o regime chinês. Precisamos de mais, precisamos de sanções concretas, que sejam penosas para o regime. As palavras são importantes, mas não chegam."

Este apelo junta-se ao desespero da família de Zhang Zhan, a repórter coragem da pandemia na China.

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