Rússia acusa Ucrânia de "crime de guerra" e lista condições para pôr fim a operação militar

Para acabar com o avanço das tropas russas no terreno, o Kremlin exige que Kiev reconheça a independência das regiões separatistas, mude a Constituição e não se alie à NATO.

A Rússia divulgou, esta segunda-feira, uma lista de condições para parar imediatamente o conflito em território ucraniano. Entre as exigências russas está o reconhecimento, pela Ucrânia, da Crimeia, de Donetsk e de Luhansk enquanto Estados independentes. Além disso, a Ucrânia terá também de fazer alterações à Constituição do país e rejeitar a entrada em qualquer bloco, incluindo a NATO.

As condições foram anunciadas pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que, citado pela agência de notícias AFP, garantiu que, se estas exigências forem cumpridas, a Rússia pode parar as operações militares na Ucrânia "a qualquer momento", terminada a desmilitarização do país.

O porta-voz do Kremlin assegurou ainda que a Rússia não pretende reclamar quaisquer outros territórios na Ucrânia.

Também esta segunda-feira, antes do início da terceira ronda de negociações entre a Rússia e a Ucrânia, o negociador-chefe da delegação russa veio acusar a Ucrânia de um "crime de guerra" por, bloquear os corredores humanitários propostos pela Rússia, adianta a AFP.

"Os nacionalistas que têm segurado posições nas cidades continuam a manter os civis lá", atirou Vladimir Medinsky, em declarações à televisão estatal russa, em que frisou que em em causa está "um crime de guerra, sem sombra de dúvidas".

A Ucrânia rejeitou, esta segunda-feira, os corredores humanitários propostos pela Rússia, considerando a proposta russa "completamente imoral". O cessar-fogo decretado pela Rússia para a imposição dos alegados corredores humanitários nas cidades ucranianas de Kiev, Mariupol, Kharkiv e Sumy, esta manhã, está a gerar controvérsia quanto à sua segurança, uma vez que vários dos corredores conduzem a população ucraniana para território da Rússia ou da Bielorrússia, país aliado de Putin.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,5 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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