Rússia mantém missões lunares apesar da retirada da Agência Espacial Europeia

Na sequência da guerra na Ucrânia, a Agência Espacial Europeia decidiu suspender a sua cooperação nas missões lunares russas.

A Rússia garantiu na quarta-feira que vai manter as suas missões lunares, em particular a primeira do novo programa Luna-25, apesar da suspensão da cooperação por parte da Agência Espacial Europeia (ESA) com os projetos russos.

"A decisão da ESA de suspender a cooperação com a Roscosmos [agência espacial russa] em projetos lunares, incluindo a missão Luna-25, não afetará o lançamento do dispositivo", realçou a assessoria de imprensa da agência espacial russa, num comunicado divulgado na rede social Telegram.

A Agência Espacial Europeia (ESA) decidiu esta quinta-feira suspender a sua cooperação nas missões lunares russas na sequência da guerra na Ucrânia.

"A agressão russa contra a Ucrânia e as sanções postas em prática representam uma mudança fundamental de circunstâncias e impossibilitam a ESA de executar a cooperação lunar planeada", justifica o comunicado.

A Roscosmos adiantou que a câmara de navegação Europa PILOT-D estava prevista ser testada na Luna-25, mas assegurou que a decisão da ESA de retirar este dispositivo "não afetará de forma alguma o desempenho das tarefas da estação automática", numa referência ao veículo.

"Vamos fazer por conta própria. E sugiro que os parceiros da ESA pensem primeiro e depois atuem", referiu o porta-voz da Roscosmos, Dmitri Strugovets, citado no comunicado.

Na nota de imprensa, a agência espacial russa sublinhou também que existiam planos para instalar a versão padrão da câmara de aterragem de precisão e prevenção de perigos PILOT no Luna-27 e numa sonda European Prospect.

E garantiu que agora a Rússia tem "a oportunidade" de desenvolver estas tecnologias por conta própria.

O diretor-geral da Roscosmos, Dmitri Rogozin, referiu na sua conta do Telegram que a Rússia removerá os dispositivos da ESA dos seus veículos lunares, sugerindo que esta opção será um alívio para a agência espacial russa.

Já o Presidente russo, Vladimir Putin, sublinhou na terça-feira que o país retomará o seu programa lunar, apesar das sanções ocidentais devido à invasão russa da Ucrânia.

"Retomaremos o programa lunar. Estamos a falar do lançamento, desde o Cosmódromo Vostochny, do aparelho robótico espacial Luna-25", atirou o chefe de Estado russo durante uma cerimónia dedicada ao 61.º aniversário do voo de Yuri Gagarin ao espaço.

A Rússia tinha divulgado em 2021 que tinha adiado o lançamento do Luna-25, originalmente programado para outubro de 2021, para julho de 2022, para permitir mais tempo para testes adicionais.

A Luna-25 será a primeira nave espacial do novo programa da Rússia e terá como objetivo investigar a região polar sul da Lua.

Este programa é herdeiro do antecessor soviético Luna-24, o terceiro a recuperar amostras da superfície lunar em agosto de 1976.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 4,5 milhões das quais para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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